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26
Jul08

Porto BikeTour 2008 - Eu fui! (Foto report)

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Porto BikeTour 2008 - Eu fui!

Não há como participar para ver como é, certo? Então lá fui eu para mais uma experiência de bicicleta. A ideia é simples: pegar em 8500 pessoas e pô-las a pedalar a partir de uma ponte tão simbólica quanto a Ponte da Arrábida. Ah, é verdade... levam a bicicleta para casa! Não é de borla, mas por 60€ pode-se considerar que é acessível. As inscrições começaram em Janeiro e fui logo inscrever-me na 1ª semana.

Pouco tempo antes do evento, a organização criou um road-show para divulgar a iniciativa e para o levantamento do material necessário à participação: capacete, T-shirt e dorsal.

Aí a organização falhou porque só no final da semana é que chegaram os capacetes: resultado, foi preciso ir lá mais duas vezes para o obter!

Isto começava bem... Porque é que me meti nisto??!?!

Mas pronto, os nervos acalmaram-se e no domingo 20 de Julho lá me levantei cedo para ir para o Porto BikeTour.

O local da partida era junto ao Castelo do Queijo e logo pelas 8h30 da manhã, não faltavam "verdinhos" cheios de entusiasmo para uma voltinha de bicicleta.

S. Pedro não deve ter sido convidado para a festa, porque acabou por brindar-nos com uma manhã de nevoeiro um pouco fresca para andar de calções e T-shirt.

A entrada do Castelo do Queijo.

As filas para entrar nos autocarros que nos levariam até à Ponte iam aumentando.

Antes de entrar, era entregue a mochila (tipo Camelback) com água, uma barrita, uma bomba e uma chave umbrako. Reparem no tamanho das pilhas de mochilas!

Já dentro do autocarro, que mais parecia uma nave espacial.

Eeennaaaa! Tantas bicicletas e todas alinhadinhas...

A mim, calhou-me esta! Bem catita, não é? O material é fraquinho, mas achei-a engraçada. Tive sorte porque o autocarro parou diante de um monte de bicicletas pretas (quanto a mim, as mais bonitas)

O principal aspecto negativo deste evento foi o tempo de espera! As partidas dos autocarros eram desde as 8h30, no entanto a partida era só às 11h30! às 9 e pouco já tinha a minha bicicleta e estava pronto. Na minha opinião, era desnecessário fazer-nos esperar mais de 1h30 pela partida. Ainda por cima, a manhã estava fresca e não soube nada bem. Por isso, o que não faltou foi tempo para tratar de alguns pormenores em algumas biclas, como encher os pneus. Vi uma pessoa a ficar com uma metade da bomba em cada mão! Era de esperar...

O meu frontal com uns retoques do editor de imagem (Note-se que não ganho nada com a publicidade ao operador de telemóveis)

Tivemos direito a uma medalha e tudo. O mais engraçado é que já a tínhamos na mochila antes mesmo de arrancar.

Meia hora antes da partida, passam os ditos VIPs. É revoltante ver que obrigam as pessoas (que pagam 60€)  a apanhar uma seca até à hora da partida, enquanto os VIPs chegam na boa...

Pouco depois das 11h, retiraram as fitas que limitavam uma das faixas da estrada por onde passavam os autocarros. O pessoal foi-se aproximando da ponte.

Tal como referi, havia bicicletas para todos os gostos consoante o patrocinador. Vou ter de fazer publicidade (sem ganhar nada com isso - outra vez!). Havia as verdes do BES.

As vermelhas (ou laranja) dos Jogos Santa Casa.

As azúis da Caixa Geral de Depósitos.

Outras vermelhas dos CTT. Ainda havia umas todas verdes da Skoda, umas todas azúis da RTP e não sei se havia algumas específicas da Radio Comercial. De qualquer maneira, todas essas eram só para os convidados das empresas (os tais VIPs).

No início do tabuleiro da ponte, já pronto (havia bastante tempo) para a partida.

Estavam a reclamar??? Nada disso...

... apenas a acenar para a TV. "Maaeee, estou aqui!" "Sou eu com a T-shirt verde e o capacete branco, estou de bicicleta!"

Havia pessoal preparado para registar tudo em vídeo. O suporte era "high-tech"!

Em pleno tabuleiro, ainda se encontravam bastantes bicicletas. Será que foram pessoas que desistiram?

A linha de partida.

Em directo para a RTP.

Mãe, agora é a minha vez de passar na TV.

O grupo era tão extensa que já ia a entrar no túnel de acesso ao cais de Gaia.

Logo depois de passar a ponte, virámos para Gaia (Afurada).

Passagem pelo túnel em direcção ao cais de Gaia.

O início da descida até ao rio. Aqui, via-se bem que muitos eram mesmo amadores pois a maior parte do grupo ia descendo com a bicicleta à mão, obrigando o resto a andar a passo de caracol.

Já junto ao Douro...

... sempre tão majestoso!

Passagem pela zona do Cais de Gaia e das Caves do Vinho do Porto.

Cais de Gaia e Ponte D. Luís.

Mais uma foto da Ponte D. Luís com a colcha de renda gigante pendurada.

Explicação para a colcha:

Uma Colcha de croché gigantesca, criada pela artista Joana Vasconcelos, em colaboração com várias mulheres de Santa Maria de Feira, será suspensa na ponte de Luís I no próximo sábado. "Varina " é o titulo da obra em croché feito á mão com cerca de 500 metros quadrados e um peso total superior a 400 Kilos. A suspensão de peças artisticas em momumentos não é uma estreia para Joana Vasconcelos, que, em 2007, colocou uma colcha de menor dimensão no Castelo de Santa Maria da Feira.

Já no tabuleiro inferior da ponte D. Luís.

O grupo encaminhou-se para o túnel da Ribeira.

À entrada do túnel da Ribeira.

Passando na zona do Infante, com o palácio da bolsa em evidência.

Passagem frente à Igreja de S. Francisco.

Perto do edifício da Alfândega do Porto.

Pelos vistos havia também a opção "tandem"! Não me importava nada de ter pago para ter uma destas, sempre dava para pedalar com a minha "Maria"...

Pedalando na ponte suspensa...

... onde uma menina arriscava a sua vida para apanhar a melhor foto. Deve gostar de emoções fortes, pois era cada azelha... Eu não arriscava!

Passagem frente ao Museu do carro eléctrico.

Aproximando-me da Ponte da Arrábida. Ainda há pouco estava lá em cima.

Na zona do jardim do Passeio Alegre.

A iniciativa estava aberta a todos, incluíndo aqueles que não desistiam perante as dificuldades da vida. A eles, um grande PARABÉNS!

Na Avenida de Montevideu, junto ao mar.

A passagem pelo ponto de encontro inicial, a rotunda do Castelo do Queijo.

Passagem pelo Edifício transparente.

Em direcção à Rotundo do Mar ou da Anémona, em Matosinhos...

... onde estava a estátua gigante do ciclista...

... e a zona da chegada...

... com a mascote do evento, o Biklas!

Depois de terminar, cada um tinha de arranjar maneira de levar a bicicleta. Alguns até trouxeram as carrinhas.

 

Balanço do evento:

Eu diverti-me! E isso é o mais importante. Uma organização desta amplitude tem muitos problemas, obviamente, e seria fácil criticar isto e aquilo, mas acima de tudo é uma boa iniciativa. Muitos dirão que é um evento para encher os bolsos de alguns e que as bicicletas não valem nada, etc... Talvez concorde com alguns desses aspectos, mas a verdade é que este evento consegue levar à pratica de desporto milhares de pessoas que provavelmente de outra forma não o fariam. O atractivo de ter uma bicicleta a baixo custo serve de chamariz e lá vão elas pedalar. Isto faz-nos pensar (a nós betetistas com mais andança) que o BTT/ciclismo não é só para os (so called) "prós" e é preciso organizar passeios simples e sem grande (ou nenhuma) dificuldade, que tragam novas pessoas à modalidade.

 Boas pedaladas

Daraopedal

13
Jul08

De Oliveira de Azeméis a Fátima pelo caminho de Santiago - 2ª etapa

daraopedal

Depois de uma noite reparadora (mas só para alguns, visto que outros não conseguiram dormir), lá fomos nós para aquela que sabíamos ia ser a etapa mais dura da aventura. Sabíamos que a distância seria mais ou menos igual ao dia anterior, mas estávamos à espera de um terreno mais difícil (mas mais divertido) e com maiores desníveis.

Não saímos muito cedo de Coimbra (sem dúvida um erro) e arrancámos da Pousada apenas por volta das 8h30. 

 

 Percorremos as ruas quase desertas (pudera, um domingo de manhã, está-se bem é na cama!) da Cidade de Coimbra.

 Passagem na Praça 8 de Maio, diante da Igreja de Santa Cruz.

 Pedalando pela rua pedonal que nos leva até…

 …à ponte S. Clara

 Travessia do Mondego, com o novo shopping Fórum Coimbra a destacar-se (pela negativa?) na paisagem.

 Passámos junto às ruínas do antigo mosteiro de Stª Clara-a-velha.  A zona está em recuperação e a tornar-se bastante agradável.

 Passagem junto à rotunda do Portugal dos Pequenitos. A partir daí apanhámos uma valente subida que serviu de aquecimento (forçado) para todos! Apesar de ser em estrada, a progressão foi lenta (até se pode dizer que pareceu uma ascensão) e depois de cada curva surgia uma nova subida! Desesperante…

 Uma vista da cidade de Coimbra!

“Coimbra tem mais encanto, na hora da despedida!”

 Passámos por este triste panorama em benefício do suposto progresso, para a construção de uma via rápida foi destruído este imponente aqueduto.

Depois chegámos ao alto junto à mais uma capela e fomos descendo por entre um casario denso, passámos numa zona onde já houve uma ponte pedonal sobre a EN1 (os vestígios e as setas provavam que já tinha havido ali uma ponte), mas entretanto desapareceu, o que nos obrigou a atravessar mesmo a estrada nacional (felizmente não havia muito trânsito).

 Depois chegámos então ao início da melhor parte do percurso, depois de passar por uma zona de fábricas, apanhámos uma subida em terra que depois foi quase sempre descendo por uma zona de vegetação densa. Uma zona muito agradável, até chegar já próximos de Conímbriga.

 Depois de passar este viaduto sob o IC3, acabámos por encontrar a maior seta amarela que indica o caminho de Santiago. Com uma seta deste tamanho, não dá mesmo para se enganar.

Cá está ela! Não engana!

 

 Chegámos então ao pólo museológico de Conímbriga, onde fizemos uma pausa para comer mais alguma coisa, porque o pequeno-almoço já tinha desaparecido há muito.

Durante a pausa, fazendo o balanço do percurso, realizámos que apenas tínhamos percorrido cerca de 30 km, e já eram 11h. Estávamos bastante preocupados com o que tínhamos de fazer nesse dia e da hora a que iríamos chegar a Fátima.

 O caminho segue por detrás do complexo do Museu, com a passagem por uma pequena ponte e mais uma subida (embora pequena, as pedras e os paus de árvores recentemente cortadas, levaram-nos a fazer esta pequena parte à mão)

 Ainda deu para avistar a zona das ruínas.

 

 Esta foi a melhor (quando digo melhor, quero dizer fabulosa) parte do percurso. Logo depois de Conímbriga entrámos num caminho fabuloso com uma vegetação tipicamente mediterrânica e paisagens deslumbrantes.

 Chegados à aldeia de Poço ainda surgiu a dúvida sobre o caminho correcto a seguir, mas acabámos por concluir que era mesmo pelo caminho junto ao rio (Rio dos Mouros).

 Um puro gozo para o BTT. Pedalámos um bom bocado junto ao Rio dos Mouros, que se encontrava completamente seco. Este é dos melhores singles-tracks que já fiz.

A passagem é muito estreita com bastante vegetação de um lado e de outro (a roçar nos alforges), e algumas zonas, de tão estreitas, requerem alguma técnica. A paisagem é do melhor.

 Encontrámos esta placa informativa que confirmava que estávamos no caminho correcto.

 Ainda fui espreitar a ponte, mas o seu estado de conservação (ou a maneira como deveria ser posta em destaque) não é ideal.

 Ainda bem que estávamos no caminho certo, porque a dúvida junto à aldeia de Poço iria levar-nos por esta serra acima. Felizmente, já tinha ficado para trás.

 Preocupados com a falta de água e comida, queríamos encontrar um local para comprar alguma coisa. Esse local foi a aldeia de Zambujal, onde parámos, junto à Junta de Freguesia, num pequeno café/mercado para reabastecer. A nossa ideia era comprar algo para fazer umas sandes e prosseguir caminho, mas o cheirinho dos frangos no churrasco que estavam a assar à porta do café foi mais forte.

Conseguimos convencer o dono do café a ceder-nos um frango que estava encomendado e a preparar-nos um arrozito para acompanhar com uma salada! Foi óptimo! O pior foi retomar o caminho! O calor apertava e apetecia era ficar à sombra a beber qualquer coisa. Também acabámos por perder mais algum tempo, mas a verdade é que sem comer também não teríamos ido longe. A localidade seguinte era Ansião e ainda faltavam muitos quilómetros.

 Depois de partir de Zambujal, encontrámos placas informativas sobre o GR26 e, durante algum tempo, seguimos por este percurso de Grande Rota que coincide com o Caminho de Santiago.

 Aspecto do percurso, pelo meio dos campos.

 

Pouco depois, comecei a sentir muitas dificuldades em progredir. Estávamos numa zona completamente à descoberto, com um calor intenso e um ar extremamente seco. Um dos ciclo-computadores, incluía a indicação da temperatura. Nesse momento, marcava 39º! Estava a assar que nem os frangos do churrasco! De repente, no meio do nada, surge um peregrino em sentido inverso, a caminho de Santiago, de mochila às costas, completamente sozinho. Calculo que uma aventura dessas em solitário deve ser algo bastante desgastante e uma grande forma de se pôr à prova.

 Mais umas marcas das setas…

 … tiradas numa pausa ao longo desta extenuante subida, onde só dava para ir mesmo a empurrar a mula! Lá em cima, o centro da aldeia de Costas do Adro com mais uma paragem rápida para comprar água para as reservas e beber um ice tea gelado em menos de 1 minuto!

 Voltámos a apanhar uns trilhos bem engraçados (mas agora numas zonas mais cobertas com algumas árvores) e apanhámos alguma estrada à chegada a Ansião.

 Fizemos mais um “breifing” em relação à nossa situação. Ainda estávamos longe e a hora estava a avançar. Decidimos encurtar uma pequena parte do percurso, seguindo por estrada e adoptando uma técnica de estrada. Durante alguns quilómetros (não muitos) seguimos por uma estrada mais ou menos plana, numa formação em linha, com as nossas rodas separadas por um palmo de distância, a uma velocidade de cerca de 40 km/h!!! Nunca tinha andado tão depressa durante tanto tempo (a não ser a descer, claro!). Com este desvio recuperámos algum tempo, mas mais adiante com uma pausa prolongada para reabastecimento e outra pausa (forçada) por furo, acabámos por voltar à estaca zero.

 O percurso levou-nos até à zona da Estação de comboios de Caxarias. Tivemos de atravessar a linha, descendo pelo túnel de acesso ao cais oposto, mas saindo directamente do outro lado.

 Um pouco adiante chegaríamos à pior parte do trajecto. Começamos a subir uma serra por um caminho nada recomendável, cheio de mato, silvas, tojo… etc. É óbvio que foi penoso, visto que com tanta vegetação e pela subida íngreme, nem dava para pedalar e as pernas é que se lixaram, ficando cheias de arranhões.

 Foi uma parte bastante penosa do percurso. Não sei se corresponde verdadeiramente ao caminho de Santiago, mas a verdade é que as setas (quer azuis, quer amarelas) já tinham desaparecido muito tempo antes.

Chegados novamente à estrada e ainda apanhámos uma zona engraçada com um estradão de terra enorme que descia vertiginosamente e voltava a subir.

Esses últimos 20 km foram um sacrifício: já era tarde (perto das 20h), a fome já apertavam, já faltava água… Pouco antes de chegar a Ourém, já estava a ficar para trás em relação aos outros (que estavam, convém referir, melhor preparados que eu!), mas já não dava mais! Para facilitar-me a vida e chegar mais cedo, trocou-se de bicicletas.

 Fiquei com uma Specialized Epic de quase 3000€ (e sem alforges) entre as mãos, ou melhor, debaixo do rabo! Fiquei com a tarefa mais facilitada (embora o banco não me agradasse e o banco da minha Trek não agradou a quem a levou).


 A troca permitiu-me ganhar novo alento para chegar ao fim (e ainda faltava a subida interminável até Fátima), mas quem levou a minha bicla, começou a sofrer também. Será que o problema é da bicla?

 Finalmente a chegada a Fátima com uma foto espectacular da rotunda dos Pastorinhos.

 A foto de grupo para comprovar a chegada ao destino!

 A perspectiva da nova basílica de Fátima.

 Os números do dia! A distância total!

 O tempo a pedalar! Quase 7h e meia  em cima do selim!

 A velocidade média.

 

 

Este segundo dia foi bem pior que o anterior, tal como prevíamos. O terreno era muito mais difícil e foi complicado chegar ao destino.

Lição retirada desta aventura: NÃO FAÇAM EM 2 DIAS!

Não recomendo mesmo nada que se faça a viagem em 2 dias. Nós acabámos por fazê-lo porque não tínhamos hipóteses de meter um dia de férias para criar um fim-de-semana prolongado. Foi pouco tempo e não deu para “apreciar” devidamente os locais por onde passámos.

 Em jeito de balanço, foi uma grande aventura, um pouco ambiciosa demais ao querermos fazer isto tudo em apenas dois dias, mas como já disse, foi uma escolha forçada. No 1º dia, o percurso não teve grande piada, mas no 2º já foi muito melhor. Houve excelentes momentos de BTT, de camaradagem e grandes paisagens.

Houve também momentos caricatos como por exemplo na última pausa antes da subida para Fátima, parámos junto a uma casa à beira da estrada. De repente ouve-se um estrondoso “Gooooooooooloooooo!!!!”. Ficámos a olhar uns para os outros, sem saber quem teria marcado no jogo da Final do Euro2008, Espanha ou Alemanha? Um de nós disse isso mesmo em voz alta (mas sem que ser ouvido dentro da casa, claro): “Golo de quem!?” e do outro lado surgiu a resposta: “Golo da Espanha!!!!”. A gargalhada foi imediata.

 

Venham mais aventuras destas!

Boas pedaladas

Daraopedal

 

PS: Podem encontrar o relato dos aventureiros que me inspirou aqui e o track de GPS aqui e aqui também.

10
Jul08

De Oliveira de Azeméis a Fátima pelo caminho de Santiago - 1ª etapa

daraopedal

Esta aventura já tinha sido falada havia já algum tempo, no entanto, pela dificuldade de conseguir arranjar datas compatíveis para todos, tinha sido sucessivamente adiada. Mas, pouco depois de ter feito a Linha do Vouga, falou-se em fazer finalmente o percurso. A logística foi simples, bastou arranjar o alojamento e o transporte para o regresso e o resto era à força de pernas e seguindo a linha no GPS.

O dia D foi o passado dia 28 de Junho, em que nos reunimos para formar um grupo de quatro aventureiros, ávidos de aventuras e trilhos, que nem os três (ou quatro?) mosqueteiros!

O local da partida "oficial" foi frente à Igreja Matriz de Oliveira de Azeméis, diante da qual passa o Caminho Português para Santiago. Esse facto está devidamente assinalado com um marco que se encontra colocado no jardim entre a Igreja e o Mercado Municipal, onde surge a vieira apontado a direcção de Santiago de Compostela e a distância até lá (290 km). Para quem não sabe, todo o percurso do caminho português está assinalado a partir de Coimbra com setas amarelas colocadas ao longo do caminho (em postes, caixas de electricidade, beiras de passeios, etc.) indicando o trajecto até à cidade do Santo Apostolo.  Mais recentemente, surgiu a iniciativa de colocar no sentido oposto setas azuis para indicar o caminho para Fátima.

 Ora, desta vez, o que nos interessava era mesmo seguir as setas azuis na direcção oposta, para chegar até Fátima. Não queríamos seguir o caminho habitual dos peregrinos que, para tentar minimizar as dificuldades do percurso se sujeitam a perigos enormes, seguindo ao longo das movimentadas nacionais (principalmente a EN1 / IC2). Procuraríamos, sempre que possível seguir pelo caminho de Santiago.

Tirámos a foto da praxe frente à Igreja para marcar a referida partida, que não era bem a partida, porque já estávamos com cerca de 8 km feitos e um furo (que quase dava em tombo - começava logo bem!).

Mas vamos lá que se faz tarde (os sinos estavam a bater as nove horas) e ainda tínhamos de chegar a Coimbra naquele dia.

A saída de Oliveira foi um pouco confusa com as setas e levarem-nos para cima e para baixo, só para passar na rotundo do edifício Rainha e pela Praça da República.

 

Apesar disso, fora de Oliveira o caminho era simples, acabámos por nos afastar do centro e seguir até uma zona onde tínhamos de atravessar a linha de comboio. Nesse local, as setas desapareceram e o trilho GPS indicava que devíamos seguir a estrada. No entanto, um estradão à nossa frente parecia seguir a direcção certa.

Optámos por arriscar e a opção revelou-se correcta pois passámos pela ponte sobre o rio Ínsua, junto ao monumento do Sr. da Ponte (passe a redundância) que, vim agora a descobrir, fica mesmo no caminho de Santiago (de qualquer forma, pela placa com inscrições gravadas que existe no monumento, já tinha ficado com essa sensação).

 

 Depois de passar O Sr. da Ponte, seguimos pelo meio dos campos no vale do Ínsua, até apanhar uma subida valente (a 1ª, logo para aquecer!)...

 ... que nos trouxe de volta à linha de comboio, na zona de Travanca. Daí seguimos por Pinheiro da Bemposta...

 ... chegando ao cruzamento da EN1 onde os nossos pontos de partida e chegada estavam marcados.

 Esse cruzamento é facilmente identificável para quem passa na EN1, pela ponte pedonal. A Seta azul indica que é mesmo pela ponte, mas obviamente que não passámos em cima dela com as biclas.

 Passagem junto à estação de comboios de Pinheiro da Bemposta.

 Depois na zona do Curval e da Branca seguimos junto à linha férrea, até apanhar a EN1 mais adiante para atravessar a zona de Albergaria-a-Nova. Pouco depois de passar o cruzamento para Salreu e a capela da Senhora da Alegria, na descida antes de chegar à zona inicial da famosa recta de Albergaria-a-Velha, o caminho segue à esquerda, afastando-se da movimentada EN1.

 Segue-se então por estradões e estradas paralelas à EN1 e obviamente com muito menos movimento, que nos levaram junto a esta estátua, próxima do Santuário da Nossa Senhora do Socorro.

 A partir daí, seguimos a direcção da EN1 que voltámos a encontrar um cruzamento próximo da entrada de Albergaria-a-Velha.

 Cruzámos novamente a EN1 para passar pelo centro de Albergaria-a-Velha, junto ao torreão.

 Acabámos por atravessar a EN1 novamente para seguirmos para Sernada do Vouga. Este desvio não era o que estava indicado no track GPS que levava, mas decidimos seguir as setas azuis que apontavam para Sernada.

 Passagem junto da estação de comboios de Sernada do Vouga, de onde, umas semanas antes, tinha já partido para fazer a Linha do Vouga em autonomia até Viseu.

 Atravessámos a ponte sobre o rio Vouga.

 Uma perspectiva do mesmo rio.

 Depois de atravessar a ponte surgiu a 1ª dificuldade séria: as setas desapareceram! A última indicava que tínhamos de atravessar a ponte, mas depois da ponte: nada! Consultámos o mapa do GPS e decidimos seguir pela estrada, pela localidade de Jafafe de Cima, mas olhando agora para o Google earth, vejo que podíamos ter simplesmente seguido pela linha que íamos dar ao mesmo sítio.

Seguimos sempre pela M576, sempre ao longo da linha e sempre ao longo do rio, até chegar a Macinhata do Vouga, onde encontrámos vários azulejos relativos à Linha do Vouga (neste caso, ao ramal para Águeda).

 

 Depois de chegar à localidade de Carvalhal, virámos no cruzamento à direita em direcção à EN1 e encontrámos novamente as setas azuis junto a esta placa que indicava a estação arqueológica do Cabeço do Vouga - o sítio da Mina.

 

 

 a subida foi dura, mas levou-nos junto ao referido sítio da Mina onde podemos reparar que ainda há municípios que cuidam do seu património arqueológico, ainda passámos diante da capela do Divino Espírito Santo, antes de chegar ao estradão de terra (sempre a descer!!)...

 

 ... que nos trouxe junto a Lamas do Vouga e à sua igreja, próximas ao IC2.

 Passámos junto à Ponte Medieval de Aeminium e atravessámos o IC2 numa zona algo perigosa. A partir daí apanhámos a 1ª estafadela a sério com uma subida até Pedaçães que nunca mais acabava, ainda por cima o calor já se fazia sentir e a fome também!

 Em alguns locais encontrámos este tipo de setas: amarelas para Santiago de Compostela, azuis para Fátima.

 Ao chegar a Mourisca do Vouga, começaram a aparecer estas placas que revelam o cuidado que o concelho de Águeda tem com os peregrinos que vão para Fátima.

 O percurso levou-nos ainda pela zona industrial de Águeda, e ainda fizemos um pequeno desvio para nos reabastecermos no Modelo. Foi muito engraçado andar equipado pelo supermercado fora, a transpirar e a cheirar mal e todas as pessoas a olhar para nós!

Finalmente a chegada a Águeda!

 

 Chegada ao centro de Águeda, junto ao rio com o mesmo nome, onde aproveitámos as sombras do pequenos parque para atacar a "bucha" e retemperar energias!

 Depois de um pequeno desvio até ao miradouro da capela de S. Pedro, lá fomos nós cruzando a ponte.

 Logo à saída de Águeda, um túnel peculiar.

 Mais uma penosa subida, a da rua Real. Uma nota particular para as rochas que ladeiam cada lado da estrada: uma boa lição de geologia.

 Depois passámos por mais uma zona industrial, desta vez maior, e junto a esta rotunda com uma rosa dos ventos, frente à enorme fábrica da Revigrés.

 Passagem por Avelãs de caminho, na EN1...

 ... e logo depois de atravessar a aldeia surgiram duas hipóteses de caminho. Decidimos virar junto ao cruzeiro e seguir as setas.

 Passagem pela zona do Parque desportivo de Anadia.

 

 Vista das vinhas da região demarcada da Bairrada. Aquele vinho branco, fresquinho a acompanhar um leitãozinho é que era!

 Depois chegámos a uma zona de pinhal onde o caminho parece parece no meio do nada, mas era mesmo por ali, as setas não enganavam. Nesta altura, surgiu um momento caricato do percurso: uma pinha estava destinada a cair em cheio nas costas do meu colega da frente! Bem que podia ter caído no capacete, dizia ele! São esses pequenos momentos que acabam por marcar a aventura com uma boa dose de humor.

 O trilho do pinhal terminou finalmente na EN1, em plena zona dos leitões, junto ao restaurante Espelho de água. Como a fome era muita e o calor também aproveitámos para uma pausa à sombrinha e esquecer o sabor enjoativo dos Isostars e Powerbars com umas boas sandes de leitão e superbocks pretas (mas sem álcool!!!!). Soube tãoooo bem!

Mas ainda faltavam uns quilómetros até Coimbra, metemo-nos à estrada passando frente ao ciné-teatro.

 e seguindo sempre pela EN1.

 Um pouco mais adiante, junto à rotunda que dá acesso para a auto-estrada, virámos À direita e depois apanhámos um caminho algo confuso que passava  por uma zona de campos, onde a vegetação era bastante densa e acabámos por vir parar a esta zona com uma plantação de árvores e mais tarde na zona de Lendiosa.

 Passagem sobre o IP3, pouco depois de passar por Trouxemil. Coimbra já estava à vista!

 Depois chegámos à zona dos campos da baixa do Mondego, onde seguimos por uma recta bem longa...

 ... até entrar finalmente em Coimbra, junto à Ponte-açude.

 A baixa de Coimbra...

 ... junto à Ponde de Santa Clara, a foto de grupo!

Encontrar a Pousada da Juventude foi uma aventura. Apesar de ter a coordenada no GPS, o aparelhómetro baralhou-se e, ora mandava numa direcção ora noutra. Depois de quase ter mandado um malho enorme por causa dos carris dos eléctricos, decidi esquecer um pouco o GPS e subir em direcção à parte alta da cidade onde devia ficar a Pousada.

 

 As forças já eram poucas e o cansaço era muito (sem falar da fome), pelo que, junto ao Penedo da Saudade (a 600m em linha recta para a Pousada), acabaram-se as forças e tivemos de parar novamente.

 Nem deu para apreciar bem as vistas sobre a zona do Estádio Municipal de Coimbra, mas ao menos ficou a foto. Depois lá seguimos para a pousada, para um revigorante banho fresco!

 Os dados do dia: 114 km. Bati o meu recorde! Nunca tinha pedalado tanto!

 6h39 min a pedalar!

 Média: 16.79 km/h

 Depois do banho, a hora era de uma refeição decente! Fomos a pé, pela cidade abaixo até junto ao rio onde uns comeram (outros enfardaram) umas massas deliciosas. O ambiente pela cidade era muito agradável pois era a altura das festa da cidade. Não houve tempo para festividades porque o dia seguinte seria longo e duro.

Clica na imagem para a 2ª etapa.