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daraopedal.pt

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28
Abr09

Maratona de Alte 2009

daraopedal

Esta foi a minha 2ª participação na Maratona de Alte. Na 1ª participação tinha-me inscrito na prova de 75 km e tinha adorado os trilhos, no entanto desta vez decidi fazer o passeio de 55 km, pois para longas distância tinha já bastado a Via Algarviana.

Já da 1ª vez tinha ficado impressionado com a dimensão do evento e o trabalho logístico que acarreta, especialmente para uma pequena aldeia como é Alte. Mais uma vez, a organização esteve à altura.

Na linha de partida, pouco antes das 10 da manhã (hora da partida), o pessoal acotovelava-se, pronto para arrancar.

Até um helicóptero a fazer a cobertura do evento havia! Antes da partida sobrevoou a multidão registando o evento para a posteridade. A meio do percurso voltou a aparecer, fazendo-me lembrar um pouco o que acontece nos Ralis do WRC ou no Dakar, com o heli a fazer de "batedor" da prova.

6 minutos e 44 segundos depois dos primeiros, lá cruzei a linha de partida. A parte inicial seguiu o mesmo percurso de há dois anos atrás, por entre os campos e laranjais até Benafim. Há dois anos atrás muitos tinha ficado pelo caminhos com correntes e desviadores partidos devido à lama que se acumulara nas transmissões. Desta vez não havia lama... mas sim pó. E muito!

A chegada a Benafim onde nos esperava a 1ª zona de reabastecimento.

O percurso seguiu então para Norte da EN 124 em direcção à aldeia de Penina, onde fomos saudados pelos habitantes, na sua maioria idosos - um reflexo do interior algarvio-. Subimos então até aos moinhos da Rocha da Pena, na foto, com uma separação dos percursos. Para os 55 km, era sempre em frente. Seguiu-se uma descida muito boa onde houve quem não tivesse escapado às quedas e consequentes mazelas.

A vista para a Serra do Caldeirão a partir dos Moinhos da Rocha da Pena. Seria nessa zona que grande parte do percurso ia passar.

2ª zona de reabastecimento: bolos, laranjas, bananas, barras de cereais, água. Nada faltava a não ser o civismo de muitos pretensos betetetistas que deitavam o lixo, especialmente garrafas de plástico, para qualquer lado.

A meu ver, inicialmente o BTT era uma modalidade de quem gostava do contacto com a natureza e respeitava o ambiente. Com a explosão do número de participantes, acho que chegou muita gente ao BTT que não partilha esses princípios. Para além das garrafas de plástico e embalagens de barras energéticas, até câmaras de ar deixam ficar no meio do monte! Uma VERGONHA!

Lembro-me que o percurso, há dois anos, passava igualmente nesta zona que era percorrida em sentido inverso.

A passagem por uma das inúmeras ribeiras que atravessámos.

A passagem pelo leito seco de outra ribeira.

A serra algarvia também é campos... sempre com uma sinalização impecável. Neste aspecto, a organização esteve muito boa.

Percorremos o vale da Ribeira de Arade.

Seguindo por caminhos de terra batida. Este foi um dos aspectos criticados pela maioria dos participantes dos 55 km, pois ao nível técnico o percurso foi muito pobre. Faltaram as zonas técnicas e os single tracks que a malta tanto gosta!

Mais uma zona de reabastecimento...

...junto à Ribeira de Arade.

Mais um estradão. O percurso foi muito rolante e o pessoal imprimiu na sua maioria um andamento muito intenso. No entanto, volto a repetir, BTT em caminhos destes não tem grande piada.

A travessia da Ribeira de Arade.

O percurso passou também por bastante alcatrão o que foi uma pena. Aquela subida na chegada a Santa Margarida é que foi valente! Mas deu algum gozo ultrapassar muita gente que já não aguentava e ia com a bicicleta à mão.

A hora da chegada!

Fiquei classificado em 300 e tal. Não foi nada mau, mas acho que chego novamente à mesma conclusão de sempre: não gosto do BTT como desporto, mas sim como meio de descoberta e de aventura. Este tipo de provas, apesar de ter a sua piada, são cada vez menos o meu género. Prefiro escolher o meu percurso ou arranjar um track na net e meter-me à aventura.

Mas voltando à prova, os banhos no final foram com água fria (brrr!!!!) e o almoço foi o que tinha levado de casa, para evitar mais uma fila (e mesmo assim só almocei quase às 16h!).

Em jeito de balanço geral, tive pena que o percurso dos 55 km não tenha passado no fabuloso single track da Ribeira de Algibre, por onde tinha passado há dois anos. No computo geral, a organização da prova merece os parabéns pois organizar um evento destes deve ser muito complicado.

21
Abr09

Via Algarviana - Links para outros reports

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Cá vai uma lista (bem longa, uffa!)  para fotos, vídeos, etc de outros colegas do pedal que participaram na aventura:

 

Via Algarviana dia 1 - BTT TV

Via Algarviana dia 1 - Gráfico

Via Algarviana dia 1 - António Neves

Via Algarviana dia 1 - Fernando Dias

Via Algarviana dia 1 - Ricardo Oeiras

Via Algarviana dia 1 - Rui Oeiras

 

Via Algarviana dia 2 - BTT TV

Via Algarviana dia 2 - Gráfico

Via Algarviana dia 2 - António Neves

Via Algarviana dia 2 - Fernando Dias

Via Algarviana dia 2 - Ricardo Oeiras

Via Algarviana dia 2 - Rui Oeiras

 

Via Algarviana dia 3 - Gráfico

Via Algarviana dia 3 - António Neves

Via Algarviana dia 3 - Fernando Dias

Via Algarviana dia 3 - Ricardo Oeiras

Via Algarviana dia 3 - Rui Oeiras

 

Via Algarviana dia 4 - Gráfico

Via Algarviana dia 4 - António Neves

Via Algarviana dia 4 - Fernando Dias

Via Algarviana dia 4 - Ricardo Oeiras

Via Algarviana dia 4 - Rui Oeiras

 

Via Algarviana dia 5 - Gráfico

Via Algarviana dia 5 - António Neves

Via Algarviana dia 5 - Fernando Dias

Via Algarviana dia 5 - Ricardo Oeiras

 

Picasa - Eduardo Cadima Leiria

 

Vídeos BTT TV

Via Algarviana 1 Dia

Via Algarviana 2 Dia

Via Algarviana 3 Dia

Via Algarviana 4 Dia

Via Algarviana 5 dia

 

BTTour - Fórum com fotos

Fórum BTT - Rescaldo

 

 

A lista será actualizada à medida que surgirem mais...

16
Abr09

Via Algarviana - Rescaldo 1ª etapa

daraopedal

Cá está o meu relato desta fantástica aventura de BTT que recomendo a qualquer betetista. É minha opinião que qualquer betetista que se preze deve, para além das idas a Santiago de Compostela e a Fátima, carimbar o passaporte com esta aventura...

... que liga Alcoutim, junto ao Guadiana e a Espanha ao cabo de São Vicente, junto a Sagres, atravessando o interior algarvios e os seus encantos (e dificuldades).

A 1ª etapa ligava Alcoutim a Vaqueiros com uma distância prevista de 59 km

O ponto de encontro foi junto ao cais de Alcoutim onde foram descarregadas as bicicletas e as malas.

Tivemos direito a um pequeno-almoço oferecido aos participantes. Foi bom comer mais alguma coisa para armazenar forças para o percurso.

A vista para Espanha junto ao cais do Guadiana...

... onde o grupo se juntou para a "partida oficial" e um pequeno briefing.

Lá seguimos então com o Guadiana em pano de fundo. O grupo era bastante grande, cerca de 40 betetistas, incluindo 3 mulheres. O andamento inicial foi calmo.

Em Cortes Pereira, o pessoal parou logo na primeira tasca que apareceu para beber qualquer coisa. Por lá, encontrei um casal, espanhol se bem percebi, que pareciam estar também numa aventura de bicicleta, mas em autonomia total. Essa era inicialmente a minha ideia para fazer a Via Algarviana, mas felizmente que coincidiu com a organização da Almargem que tratou da logística toda. Assim, só tive de me preocupar em pedalar.

Foto da minha nova "preciouss" - Specialized FSR XC Comp 2009 - junto a um poço em Cortes Pereira.

O caminho era fácil, com bom piso e permitia pedalar tranquilamente. A paisagem por sua vez estava salpicada pela paleta de cores primaveris: branco, verde, amarelo, violeta, cor-de-rosa, ... Esta é sem dúvida a melhor altura para fazer a Via Algarviana. Na primavera, o calor não é tão intenso como no verão e a natureza está em todo o seu esplendor.

Paragem nos Menires do Lavajo para apreciar este monumento. No local, soube-se que uma das senhoras, a inglesa Sue, que se tinha metido nesta aventura sem prática de BTT (apenas estrada) e com uma bicicleta inadequada, tinha tido uma queda. Foi um grupo para trás prestar-lhe apoio. soube depois que tinha tido uma queda violenta, acabando por ter de receber 3 pontos no joelho e 2 no cotovelo. Depois de ligar para o 112 (que voltou a não funcionar bem), os que esperavam junto dela ainda tiveram um susto, porque ela ainda desmaiou. Acho que tudo acabou bem, mas estou certo que tão cedo não esquecerá as férias da Páscoa de 2009 em Portugal.

Numa aldeia mais adiante, Corte Tabelião, uma pequena curiosidade: umas alminhas (ou um altar) com cortinas!

Ao longo do caminho estavam preparadas algumas surpresas. Aqui, em Corte da Seda (se não me engano), uma mesa posta com bolos (alfarroba? mel?) e licores à nossa espera. Uma paragem impôs-se!

Mais adiante, um outro altar junto ao forno comunitário da aldeia.

O trajecto leva-nos inicialmente para sul até cruzarmos o IC27.

Aqui, passagem debaixo do IC27 que liga Castro Marim a Mértola.

Pouco depois ainda deu para ver apreciar uma queda daquelas! Ao passar em cima de um ribeiro quase seco, o meu amigo escorregou e mandou um malho tremendo. O que vale é que não se aleijou (muito), mas ainda deu para rir, pois éramos 5 ou 6 a passar em conjunto e ele foi o único que caiu.

Agora passagem aérea.

Neste local surgiu um pequeno grupo que se tinha enganado num cruzamento e tinha seguido no caminho errado durante 3 km. A paisagem em frente era esta. Havia ainda de passar debaixo daquele viaduto, que foi o local escolhido para um pic-nic / almoço.

A foto depois de ter passado o viaduto.

Depois do pic-nic esperava-nos a travessia de uma ribeira e o seu leito com muita pedra e uma subida enorme, daquelas que só s pode fazer à mão.

Depois de pedalar (muito) durante algum tempo sozinho, acabei por chegar a Furnazinhas. Estava a ficar preocupado pois a minha reserva de água estava a acabar. Juntei-me à malta que já estava no café local para reabastecer. Nesta zona do Algarve, a maior parte das aldeias tem pouco mais do que um café (algumas nem isso) e restaurante ou minimercados nem vê-los, por isso é necessário ir com os abastecimentos necessários.

Indo em direcção a Balurquinhos e Vaqueiros! Já estava a começar a ficar moído. Este dia era supostamente o 3º mais fácil (mas também o 3º mais difícil), mas por ser o primeiro e não estar ainda no andamento, acabou por custar um bocado.

Passagem por uma reserva de caça.

As 3 marcas: vermelho e branco do GR 13 (Via Algarviana), amarelo e vermelho de um PR local e a flor de esteva da Via Algarviana original dos Algarve Walkers.

Cansado, acabei por chegar a Vaqueiros (em Inglês: "Cow-boys"), e disseram-me que afinal tinha de ficar na casa de Ferrarias. Só então me lembrei que o alojamento neste dia seria separado: um grupo em Vaqueiros e outro numa casa em Ferrarias e que isso ficava a 2,5 km de distancia. Depois dos quilómetros todos desse dia, foi penoso saber que tinha de voltar para trás para ir para Ferrarias. Se as minhas coisas não tivessem sido deixadas lá pela organização, acho que não saia mais dali.

Penosamente, lá fui até Ferrarias, uma aldeia que parecia abandonada. Tão abandonada (não se via ninguém, nem sequer do BTT) que achei que não seria ali e segui mais um pouco até chegar ao Parque da Mina da Cova dos Mouros.

Nesse parque temático, este estranho animal olhava para mim com cara de poucos amigos. Acho que é uma Ema ou qualquer coisa assim, mas é um pouco parecido com uma avestruz. Acabei por ligar para o responsável da casa que lá me indicou que era mesmo onde tinha passado. Lá cheguei, tomei banho (água fria) e estava com pouca vontade de ir novamente a Vaqueiros para ir jantar. Como não havia alternativa, e o dia tinha sido sem almoço (apenas sandes, fruta e barras), lá tive de fazer 2,5 km para cada lado em plena noite.

O pessoal que tinha ficado em Vaqueiros já tinha jantado e gozava o convívio. Eu, mal comi, pus-me logo a caminho para ir "p'rá caminha"! Já estava bem moído neste 1º dia.

Estatísticas:

63,8 km (71,3 km com as idas e vindas de Ferrarias)

Velocidade média 11,03 km/h

5h51m a pedalar (6h27m com as idas e vindas de Ferrarias)

1650 m  de subidas acumuladas

Clica na imagem para a 2ª etapa.

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