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daraopedal.pt

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18
Fev08

Maratona BTT Cucujães 2008

daraopedal

O meu rescaldo da Maratona de Cucujães.

O que dizer dessa Maratona?

Que muita coisa correu mal, fruto de uma óbvia falta de experiência nessas andanças, por parte da organização. Que isso é perfeitamente normal, e que, em vez de "desancar" a organização, prefiro fazer críticas construtivas para que no próximo ano, (Sim, se houver nova maratona, lá estarei ) tudo corra muito melhor. Que só fui para fazer o percurso dos 30 km.. e ainda bem. Que não estou com muito treino, mas que mesmo assim me diverti bastante (e isso é o mais importante)

Cucujães - O panorama um pouco antes da partida.

O grupo antes da partida.

Cheguei atempadamente ao local da partida com um amigo e logo aí gerou-se uma confusão qualquer por causa da inscrição. Demorou imenso tempo, pois tinha havido um problema qualquer com o comprovativo do pagamento. Mas, passado um bom bocado lá arrancámos.

A imagem da partida.

O percurso começou por uma subida em asfalto onde muitos foram ficando para trás. O pessoal dos 60 km tinha partido em primeiro para não se gerar a confusão, mas a verdade é que não houve informação acerca disso. Não se sabia onde estava a malta dos 30 e a malta dos 60 km e acho que muitos foram misturados. Sugiro à organização que arranje, para o próximo ano, frontais com cores diferentes conforme as distâncias percorridas, tal como utilizado na Maratona de Alte 2007.

O percurso inicial foi muito divertido, com o pessoal muito entusiasmado logo à partida. Mas a confusão instalou-se a partir da zona onde encontrámos este eucalipto no meio do caminho. Logo a seguir, havia uma descida com a travessia de uma pequena poça de água, e claro o pessoal não quis outra coisa. Nem quiseram saber do facto do percurso não ser por ali. Eu, claro, sob o efeito de um fenómeno cientificamente apelidado de efeito rebanho acabei por ir pelo mesmo caminho.

As caras de desorientados do grupo da frente? Ou um episodio de "LOST " em Cucujães?

 

Pouco depois encontrámos outro grupo (dos 60 km?) a pedalarem em sentido contrário com ar de poucos satisfeitos. A razão? Não era por ali! :-|

Criou-se um confusão por causa das marcações, pois ao longo do percurso fomos encontrando vários tipos de marcações diferentes, nalguns sítios apareciam as tradicionais fitas brancas e vermelhas e noutros surgiam uma setas vermelhas. Para além disso, algumas das fitas pareciam ser de outros passeios.

Segundo um betetista que também estava perdido, algumas das setas eram de um passeio a cavalo que se tinha realizado pouco tempo antes. Mas afinal como é que ficámos?!?!

Depois de andar uns metros para trás e para a frente, alguém ligou para a organização e lá descobrimos que o erros tinha sido junto ao eucalipto. Voltou tudo para trás a abrir, pois com esta brincadeira tínhamos perdido mais de 20 minutos. Sugiro também que se faça uma limpeza prévia das marcações de passeios anteriores e que se aposte, em eventos deste tipo, em marcações personalizadas (até podem arranjar patrocínios que apareçam nas setas).

A partir daí correu melhor, o percurso agradava e, embora ainda com algumas lacunas de sinalização em alguns cruzamentos, acho que mais ninguém se perdeu. A paisagem alternava entre zona de floresta e zona de campos, zonas rápidas e zonas técnicas, o que era bastante agradável.

Fazendo um pequeno aparte, tenho de focar uma outra situação negativa que não tem a ver com a organização, mas antes com a falta de civismo das pessoas. Não é a primeira vez que essas atitudes se verificam em passeio ou maratonas. Numa subida, quando alguém "desmonta" as regras do BTT e o próprio bom-senso dizem-nos que se deve chegar o mais rapidamente possível para o lado, preferencialmente para o lado "menos ciclável " do caminho, para não prejudicar quem vem a pedalar atrás. A verdade é que isso continua a não acontecer. Ainda pude assistir a uma cena em que o meu amigo de pedalada avisou alguém numa subida gritando "esquerda" para indicar o lado pelo qual ia passar. A resposta que recebeu de um indivíduo que ia a fazer a subida a pé, foi um sonoro "se faxabor, sim?! Isto não é só teu!", num tom que nem preciso explicar para que todos percebam. É lamentável! São aqueles comportamentos que se veêm no nosso dia-a-dia nas estrada, que estão cada vez mais presentes nos nossos trilhos.

Para além disso, há sempre os "parvos" (devia utilizar outra palavra mais forte mas não consigo escrever aqui) que deixam plásticos das embalagens das barras de cereais pelo caminho. Mas ainda houve pior, um miúdo, a quem chamamos à atenção, que atirou uma garrafa de plástico directamente para o rio Ul . Uma situação desta ainda é menos perceptível! Quando seria de esperar que as novas gerações já estivessem mais sensibilizadas no que diz respeito aos cuidados com o ambiente, verificam-se situações como esta. Não percebo mesmo... Mas pronto, fica aqui o aviso para estas duas situações.

Voltando ao passeio em si, chegámos a uma zona onde seguimos, paralelos à auto-estrada A1, numa caminho sobre o percurso da conduta do gás. Essa zona foi simplesmente espectacular! Ao longo de umas boas centenas de metros, encontrámos pequenas lombas com cerca de meio metro de altura que nos permitiram literalmente "voar"! Pronto, se calhar exagero um pouco e não levantei mais de 50 cm no ar, mas a verdade é que deu muito gozo. Tenho de lá voltar um dia só para andar outra vez "aos saltinhos" :-D até apanhar um "malho"

:-P

Essa zona terminou na descida bem técnica da foto acima...

... que levava a um pequeno rio que atravessava a auto-estrada por um túnel de escoamento de águas.

O percurso seguia mesmo por aí. O mais engraçado era que não se via nada no seu interior a não ser a luz ao fundo do túnel.

No final do túnel, nova travessia, não da auto-estrada, mas do rio. Este betetista não teve muita sorte e acabou por molhar o "pezinho", situação que adorei registar :-D Para eu não ficar mal também, tive cuidados extras quando fiz a travessia.

Depois seguiu-se ao longo de alguns quilómetros entre montes e campos, até uma zona onde encontrámos o caminho de serviço junto à variante Oliveira de Azeméis - Estarreja. Aí, já cheio de fome, tive de para para comer umas barritas. O mais engraçado foi que, depois de arrancar novamente, descobri que a zona de reabastecimentos ficava a pouco mais de um quilometro. Mas pronto, quando a fome aperta, é preciso parar! Nessa zona do reabastecimento, reagrupavam-se os dois grupos: o dos 30 km e o dos 60 e isso deixou muita gente dos 60 km furiosa e percebe-se porquê. É muito aborrecido ter de ultrapassar  o pessoal mais lento, que muitas vezes nem sequer facilita. Esse é um outro aspecto a rever por parte da organização. 

A partir daí, o percurso começou a tornar-se um pouco mais difícil com algumas subidas. A partir da travessia da zona da ponte dos dois rios, já não havia forças. Estava cheio de fome e com poucas forças (a falta de treino não perdoa). Ainda por cima fui literalmente "torturado" por um habitante da zona que passou à minha frente com uma travessa de carne assada e que teve a lata de me dizer: "- Toma, cheira!"

Épa ! Isso não se faz! Não se faz, mesmo!

Depois, já quase de regresso ao centro de Cucujães, o percurso terminou com um descida técnica e travessia de um rêgo sobre uma tábua de madeira. Preferi não arriscar, até porque estava muita gente à espera, com uma máquina ponta a disparar. Por isso... passei à mão.

Logo à frente, a chegada à meta...

... junto ao acampamento dos escuteiros.

O mapa do percurso.

E o ficheiro de altimetria, com a descida de 30% de inclinação, situada na zona dos moinhos de água, bem em evidência no gráfico. No que diz respeito ao resto do passeio: banhos, lavagem das biclas e almoço, nada posso dizer pois fui directo para casa.

Apesar de tudo o que foi dito, acho que globalmente o balanço é positivo. A malta de Cucujães tem bons trilhos, por isso é só limar as arestas para que no próximo ano tudo corra melhor!Boas pedaladas

Daraopedal

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