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daraopedal.pt

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14
Jun08

Linha do Vouga em BTT - Dia 2

daraopedal

No dia seguinte, aproveitámos para descansar um bocado e apreciar as belezas da pequena localidade das termas de S. Pedro do Sul.

Visitámos então a zonas das termas propriamente dito, onde se situa a nascente termal cujas águas brotam à temperatura de 70º, com características sulfurosas, aproveitadas para tratamento de doenças reumatológicas e respiratórias.

Frente ao balneário Rainha D. Amélia, existe uma fonte onde a água da terma brota permanentemente. é possível verificar que a água sai realmente muito quente, com um cheiro estranho, que faz lembrar ovos cozidos.

Junto ao rio Vouga encontramos as ruínas das antigas termas romanas. Este complexo termal romano é composto por Tepidarium, Caldarium, Sudatorium e Laconicum (estufa seca), num conjunto de 5 piscinas. Do edifício romano resta apenas uma piscina e o edifício da “piscina de D. Afonso Henriques". Segundo a tradição, nos primeiros tempos da Nacionalidade, D. Afonso Henriques teria vindo aqui procurar alívio para os seus males, depois de ter partido a perna na batalha de Badajoz.

Uma perspectiva do rio Vouga, passando pelo centro da vila.

Junto às ruínas romanas existe a pequena capela em homenagem a S. Martinho.

Outra perspectiva da localidade das termas, com o novo balneário D. Afonso Henriques, o maior e mais moderno balneário da Europa, em evidência e lá ao cima, a Pousada da juventude.

Para voltarmos à Linha do Vouga, regressámos à estação das termas e fomos pela estrada EN 16 até ao cruzamento para Lameira. Cerca de 50m depois da subida, encontrámos novamente o caminho em terra batida da Linha do Vouga.

Ainda passámos por mais uma bela ponte sobre o Vouga, onde parámos para apreciar a beleza do local.

Perto do centro de S. Pedro do Sul, passámos pela antiga estação que se encontra toda recuperada.

Em Negrelos, mais uma bonita ponte ...

... sobre o Vouga.

Em Negrelos, um bom exemplo de valorização do património ferroviário.

O percurso segue durante alguns quilómetros o trajecto do percurso PR7 - S. João de Jerusalém.

Uma ponte...

Duas pontes... muitas pontes. Entre estas ponte o trajecto faz uma ida e volta quase ao local de partida (mas a uma altitude superior) que era necessária para permitir às locomotivas transpor a serra.

A caminho de Fermil, uma perspectiva sobre uma vinha enorme. A zona faz parte da região demarcada de vinhos do Dão.

Chegados a Real de Donas, a via desaparece novamente sob o tapete betuminoso. Seguimos então um bocado pela estrada e em  Real voltámos a descobrir o trilho...

... para perdê-la novamente quando chegámos a Moçamedes, onde a antiga estação , agora recuperada, serve de sede da junta de freguesia. A partir daí o trilho da linha é utilizado por outro PR - o PR5 Caminho de S. Miguel do Mato.

A primavera em pleno.

Aqui a vegetação fazia lembrar a vegetação muito agreste típica das serras da beira alta.

Encontrámos a Igreja Matriz de Bodiosa bem junto à Linha e aproveitámos para contemplar o peculiar cruzeiro.

Mais adiante, a estação de Bodiosa, que parece agora servir de habitação para algum "okupa" que tomou conta daquilo.

O apeadeiro de Travanca da Bodiosa já é junto à estrada e a partir daí tivemos algumas dificuldades em encontrar o trilho.

Seguimos então por estrada, entrando na freguesia de Campo.

Entretanto mais à frente, fomos surpreendidos por uma cobra que se atravessou no nosso caminho. Uma cobra enorme e grossa que deixou metade do team Daraopedal completamente histérico aos gritos :-D Coitadinha da cobrinha...

Este apeadeiro que encontrámos mais adiante estava em tão mau estado e com tanto lixo à volta, que nem dava para perceber qual era a estação, é pena. Mas acho que devia ser o de Moselos.

Mais adiante, uma nova dificuldade. Para seguirmos a linha, tínhamos de atravessar a via rápida, mas para evitar fazê-lo pelo meio dos carros (acho que nem deve ser permitido), tivemos de arranjar uma alternativa.

A alternativa era atravessar pelo túnel de escoamento das águas de uma pequena linha de água. Eu sabia, pelo blog do aventureiro que já tinha feito este percurso, que ele também tinha passado por aí. Difícil foi convencer alguém que tinha visto uma cobra descomunal poucos minutos antes, a aventurar-se por ali. A seta pintada na parede não deixava dúvidas de que o pessoal do BTT se aventurava por ali, mas a verdade é que o terreno tanto à entrada como à saída do túnel tinha muita vegetação e muita lama. Foi difícil, perdeu-se quase 20 min com isto, mas conseguimos.

Do outro lado do túnel, encontrámos uma placa com o nome "Largo do apeadeiro" (embora não houvesse sinal de tal coisa). Não havia dúvidas que era por ali.

A partir daqui já se via Viseu! Foi sempre a descer por uma via que já pouco tinha de bonito, entalada entre estradas, casas e fábricas. Nalguns sítios o mato nas bermas era já grande, no entanto dava para passar bem pela via.

Continuamos descendo até Viseu e reparando que curiosamente as setas que encontrámos junto ao túnel continuavam a indicar o nosso caminho.

Até que chegámos a uma local onde já era impossível prosseguir. A linha desaparecera debaixo de pilhas de terra. Não havia outra solução senão ir pela estrada. O que vale é que já estávamos perto.

A nossa entrada triunfal em Viseu (embora não tão grandiosa como a da selecção)

E o final junto ao último indício que encontrámos da extinta linha do Vouga, bem perto do túnel de Viriato. Contagem do dia, cerca de 40 km. Foi sem dúvida uma grande aventura, sem problemas mecânicos, nem problemas físicos. Foi realizada sem grande preparação física e acabou por se revelar perfeitamente acessível, pelo que recomendo a aventura a outros betetistas. É pena um património como este não ser valorizado por todos, enquanto alguns municípios o utilizam e colocam ao serviço das populações outros simplesmente ignoram-no. É pena. Ao preço em que estão os combustíveis, qualquer dia ainda temos de ir todos a pedalar para ir a Viseu.

Espero que tenham gostado do relato e que vos seja útil para aventuras semelhantes.

Disponibilizo o track GPS para quem quiser aqui

Boas pedaladas

Daraopedal

 

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