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10
Jul08

De Oliveira de Azeméis a Fátima pelo caminho de Santiago - 1ª etapa

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Esta aventura já tinha sido falada havia já algum tempo, no entanto, pela dificuldade de conseguir arranjar datas compatíveis para todos, tinha sido sucessivamente adiada. Mas, pouco depois de ter feito a Linha do Vouga, falou-se em fazer finalmente o percurso. A logística foi simples, bastou arranjar o alojamento e o transporte para o regresso e o resto era à força de pernas e seguindo a linha no GPS.

O dia D foi o passado dia 28 de Junho, em que nos reunimos para formar um grupo de quatro aventureiros, ávidos de aventuras e trilhos, que nem os três (ou quatro?) mosqueteiros!

O local da partida "oficial" foi frente à Igreja Matriz de Oliveira de Azeméis, diante da qual passa o Caminho Português para Santiago. Esse facto está devidamente assinalado com um marco que se encontra colocado no jardim entre a Igreja e o Mercado Municipal, onde surge a vieira apontado a direcção de Santiago de Compostela e a distância até lá (290 km). Para quem não sabe, todo o percurso do caminho português está assinalado a partir de Coimbra com setas amarelas colocadas ao longo do caminho (em postes, caixas de electricidade, beiras de passeios, etc.) indicando o trajecto até à cidade do Santo Apostolo.  Mais recentemente, surgiu a iniciativa de colocar no sentido oposto setas azuis para indicar o caminho para Fátima.

 Ora, desta vez, o que nos interessava era mesmo seguir as setas azuis na direcção oposta, para chegar até Fátima. Não queríamos seguir o caminho habitual dos peregrinos que, para tentar minimizar as dificuldades do percurso se sujeitam a perigos enormes, seguindo ao longo das movimentadas nacionais (principalmente a EN1 / IC2). Procuraríamos, sempre que possível seguir pelo caminho de Santiago.

Tirámos a foto da praxe frente à Igreja para marcar a referida partida, que não era bem a partida, porque já estávamos com cerca de 8 km feitos e um furo (que quase dava em tombo - começava logo bem!).

Mas vamos lá que se faz tarde (os sinos estavam a bater as nove horas) e ainda tínhamos de chegar a Coimbra naquele dia.

A saída de Oliveira foi um pouco confusa com as setas e levarem-nos para cima e para baixo, só para passar na rotundo do edifício Rainha e pela Praça da República.

 

Apesar disso, fora de Oliveira o caminho era simples, acabámos por nos afastar do centro e seguir até uma zona onde tínhamos de atravessar a linha de comboio. Nesse local, as setas desapareceram e o trilho GPS indicava que devíamos seguir a estrada. No entanto, um estradão à nossa frente parecia seguir a direcção certa.

Optámos por arriscar e a opção revelou-se correcta pois passámos pela ponte sobre o rio Ínsua, junto ao monumento do Sr. da Ponte (passe a redundância) que, vim agora a descobrir, fica mesmo no caminho de Santiago (de qualquer forma, pela placa com inscrições gravadas que existe no monumento, já tinha ficado com essa sensação).

 

 Depois de passar O Sr. da Ponte, seguimos pelo meio dos campos no vale do Ínsua, até apanhar uma subida valente (a 1ª, logo para aquecer!)...

 ... que nos trouxe de volta à linha de comboio, na zona de Travanca. Daí seguimos por Pinheiro da Bemposta...

 ... chegando ao cruzamento da EN1 onde os nossos pontos de partida e chegada estavam marcados.

 Esse cruzamento é facilmente identificável para quem passa na EN1, pela ponte pedonal. A Seta azul indica que é mesmo pela ponte, mas obviamente que não passámos em cima dela com as biclas.

 Passagem junto à estação de comboios de Pinheiro da Bemposta.

 Depois na zona do Curval e da Branca seguimos junto à linha férrea, até apanhar a EN1 mais adiante para atravessar a zona de Albergaria-a-Nova. Pouco depois de passar o cruzamento para Salreu e a capela da Senhora da Alegria, na descida antes de chegar à zona inicial da famosa recta de Albergaria-a-Velha, o caminho segue à esquerda, afastando-se da movimentada EN1.

 Segue-se então por estradões e estradas paralelas à EN1 e obviamente com muito menos movimento, que nos levaram junto a esta estátua, próxima do Santuário da Nossa Senhora do Socorro.

 A partir daí, seguimos a direcção da EN1 que voltámos a encontrar um cruzamento próximo da entrada de Albergaria-a-Velha.

 Cruzámos novamente a EN1 para passar pelo centro de Albergaria-a-Velha, junto ao torreão.

 Acabámos por atravessar a EN1 novamente para seguirmos para Sernada do Vouga. Este desvio não era o que estava indicado no track GPS que levava, mas decidimos seguir as setas azuis que apontavam para Sernada.

 Passagem junto da estação de comboios de Sernada do Vouga, de onde, umas semanas antes, tinha já partido para fazer a Linha do Vouga em autonomia até Viseu.

 Atravessámos a ponte sobre o rio Vouga.

 Uma perspectiva do mesmo rio.

 Depois de atravessar a ponte surgiu a 1ª dificuldade séria: as setas desapareceram! A última indicava que tínhamos de atravessar a ponte, mas depois da ponte: nada! Consultámos o mapa do GPS e decidimos seguir pela estrada, pela localidade de Jafafe de Cima, mas olhando agora para o Google earth, vejo que podíamos ter simplesmente seguido pela linha que íamos dar ao mesmo sítio.

Seguimos sempre pela M576, sempre ao longo da linha e sempre ao longo do rio, até chegar a Macinhata do Vouga, onde encontrámos vários azulejos relativos à Linha do Vouga (neste caso, ao ramal para Águeda).

 

 Depois de chegar à localidade de Carvalhal, virámos no cruzamento à direita em direcção à EN1 e encontrámos novamente as setas azuis junto a esta placa que indicava a estação arqueológica do Cabeço do Vouga - o sítio da Mina.

 

 

 a subida foi dura, mas levou-nos junto ao referido sítio da Mina onde podemos reparar que ainda há municípios que cuidam do seu património arqueológico, ainda passámos diante da capela do Divino Espírito Santo, antes de chegar ao estradão de terra (sempre a descer!!)...

 

 ... que nos trouxe junto a Lamas do Vouga e à sua igreja, próximas ao IC2.

 Passámos junto à Ponte Medieval de Aeminium e atravessámos o IC2 numa zona algo perigosa. A partir daí apanhámos a 1ª estafadela a sério com uma subida até Pedaçães que nunca mais acabava, ainda por cima o calor já se fazia sentir e a fome também!

 Em alguns locais encontrámos este tipo de setas: amarelas para Santiago de Compostela, azuis para Fátima.

 Ao chegar a Mourisca do Vouga, começaram a aparecer estas placas que revelam o cuidado que o concelho de Águeda tem com os peregrinos que vão para Fátima.

 O percurso levou-nos ainda pela zona industrial de Águeda, e ainda fizemos um pequeno desvio para nos reabastecermos no Modelo. Foi muito engraçado andar equipado pelo supermercado fora, a transpirar e a cheirar mal e todas as pessoas a olhar para nós!

Finalmente a chegada a Águeda!

 

 Chegada ao centro de Águeda, junto ao rio com o mesmo nome, onde aproveitámos as sombras do pequenos parque para atacar a "bucha" e retemperar energias!

 Depois de um pequeno desvio até ao miradouro da capela de S. Pedro, lá fomos nós cruzando a ponte.

 Logo à saída de Águeda, um túnel peculiar.

 Mais uma penosa subida, a da rua Real. Uma nota particular para as rochas que ladeiam cada lado da estrada: uma boa lição de geologia.

 Depois passámos por mais uma zona industrial, desta vez maior, e junto a esta rotunda com uma rosa dos ventos, frente à enorme fábrica da Revigrés.

 Passagem por Avelãs de caminho, na EN1...

 ... e logo depois de atravessar a aldeia surgiram duas hipóteses de caminho. Decidimos virar junto ao cruzeiro e seguir as setas.

 Passagem pela zona do Parque desportivo de Anadia.

 

 Vista das vinhas da região demarcada da Bairrada. Aquele vinho branco, fresquinho a acompanhar um leitãozinho é que era!

 Depois chegámos a uma zona de pinhal onde o caminho parece parece no meio do nada, mas era mesmo por ali, as setas não enganavam. Nesta altura, surgiu um momento caricato do percurso: uma pinha estava destinada a cair em cheio nas costas do meu colega da frente! Bem que podia ter caído no capacete, dizia ele! São esses pequenos momentos que acabam por marcar a aventura com uma boa dose de humor.

 O trilho do pinhal terminou finalmente na EN1, em plena zona dos leitões, junto ao restaurante Espelho de água. Como a fome era muita e o calor também aproveitámos para uma pausa à sombrinha e esquecer o sabor enjoativo dos Isostars e Powerbars com umas boas sandes de leitão e superbocks pretas (mas sem álcool!!!!). Soube tãoooo bem!

Mas ainda faltavam uns quilómetros até Coimbra, metemo-nos à estrada passando frente ao ciné-teatro.

 e seguindo sempre pela EN1.

 Um pouco mais adiante, junto à rotunda que dá acesso para a auto-estrada, virámos À direita e depois apanhámos um caminho algo confuso que passava  por uma zona de campos, onde a vegetação era bastante densa e acabámos por vir parar a esta zona com uma plantação de árvores e mais tarde na zona de Lendiosa.

 Passagem sobre o IP3, pouco depois de passar por Trouxemil. Coimbra já estava à vista!

 Depois chegámos à zona dos campos da baixa do Mondego, onde seguimos por uma recta bem longa...

 ... até entrar finalmente em Coimbra, junto à Ponte-açude.

 A baixa de Coimbra...

 ... junto à Ponde de Santa Clara, a foto de grupo!

Encontrar a Pousada da Juventude foi uma aventura. Apesar de ter a coordenada no GPS, o aparelhómetro baralhou-se e, ora mandava numa direcção ora noutra. Depois de quase ter mandado um malho enorme por causa dos carris dos eléctricos, decidi esquecer um pouco o GPS e subir em direcção à parte alta da cidade onde devia ficar a Pousada.

 

 As forças já eram poucas e o cansaço era muito (sem falar da fome), pelo que, junto ao Penedo da Saudade (a 600m em linha recta para a Pousada), acabaram-se as forças e tivemos de parar novamente.

 Nem deu para apreciar bem as vistas sobre a zona do Estádio Municipal de Coimbra, mas ao menos ficou a foto. Depois lá seguimos para a pousada, para um revigorante banho fresco!

 Os dados do dia: 114 km. Bati o meu recorde! Nunca tinha pedalado tanto!

 6h39 min a pedalar!

 Média: 16.79 km/h

 Depois do banho, a hora era de uma refeição decente! Fomos a pé, pela cidade abaixo até junto ao rio onde uns comeram (outros enfardaram) umas massas deliciosas. O ambiente pela cidade era muito agradável pois era a altura das festa da cidade. Não houve tempo para festividades porque o dia seguinte seria longo e duro.

Clica na imagem para a 2ª etapa.

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