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daraopedal.pt

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13
Jul08

De Oliveira de Azeméis a Fátima pelo caminho de Santiago - 2ª etapa

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Depois de uma noite reparadora (mas só para alguns, visto que outros não conseguiram dormir), lá fomos nós para aquela que sabíamos ia ser a etapa mais dura da aventura. Sabíamos que a distância seria mais ou menos igual ao dia anterior, mas estávamos à espera de um terreno mais difícil (mas mais divertido) e com maiores desníveis.

Não saímos muito cedo de Coimbra (sem dúvida um erro) e arrancámos da Pousada apenas por volta das 8h30. 

 

 Percorremos as ruas quase desertas (pudera, um domingo de manhã, está-se bem é na cama!) da Cidade de Coimbra.

 Passagem na Praça 8 de Maio, diante da Igreja de Santa Cruz.

 Pedalando pela rua pedonal que nos leva até…

 …à ponte S. Clara

 Travessia do Mondego, com o novo shopping Fórum Coimbra a destacar-se (pela negativa?) na paisagem.

 Passámos junto às ruínas do antigo mosteiro de Stª Clara-a-velha.  A zona está em recuperação e a tornar-se bastante agradável.

 Passagem junto à rotunda do Portugal dos Pequenitos. A partir daí apanhámos uma valente subida que serviu de aquecimento (forçado) para todos! Apesar de ser em estrada, a progressão foi lenta (até se pode dizer que pareceu uma ascensão) e depois de cada curva surgia uma nova subida! Desesperante…

 Uma vista da cidade de Coimbra!

“Coimbra tem mais encanto, na hora da despedida!”

 Passámos por este triste panorama em benefício do suposto progresso, para a construção de uma via rápida foi destruído este imponente aqueduto.

Depois chegámos ao alto junto à mais uma capela e fomos descendo por entre um casario denso, passámos numa zona onde já houve uma ponte pedonal sobre a EN1 (os vestígios e as setas provavam que já tinha havido ali uma ponte), mas entretanto desapareceu, o que nos obrigou a atravessar mesmo a estrada nacional (felizmente não havia muito trânsito).

 Depois chegámos então ao início da melhor parte do percurso, depois de passar por uma zona de fábricas, apanhámos uma subida em terra que depois foi quase sempre descendo por uma zona de vegetação densa. Uma zona muito agradável, até chegar já próximos de Conímbriga.

 Depois de passar este viaduto sob o IC3, acabámos por encontrar a maior seta amarela que indica o caminho de Santiago. Com uma seta deste tamanho, não dá mesmo para se enganar.

Cá está ela! Não engana!

 

 Chegámos então ao pólo museológico de Conímbriga, onde fizemos uma pausa para comer mais alguma coisa, porque o pequeno-almoço já tinha desaparecido há muito.

Durante a pausa, fazendo o balanço do percurso, realizámos que apenas tínhamos percorrido cerca de 30 km, e já eram 11h. Estávamos bastante preocupados com o que tínhamos de fazer nesse dia e da hora a que iríamos chegar a Fátima.

 O caminho segue por detrás do complexo do Museu, com a passagem por uma pequena ponte e mais uma subida (embora pequena, as pedras e os paus de árvores recentemente cortadas, levaram-nos a fazer esta pequena parte à mão)

 Ainda deu para avistar a zona das ruínas.

 

 Esta foi a melhor (quando digo melhor, quero dizer fabulosa) parte do percurso. Logo depois de Conímbriga entrámos num caminho fabuloso com uma vegetação tipicamente mediterrânica e paisagens deslumbrantes.

 Chegados à aldeia de Poço ainda surgiu a dúvida sobre o caminho correcto a seguir, mas acabámos por concluir que era mesmo pelo caminho junto ao rio (Rio dos Mouros).

 Um puro gozo para o BTT. Pedalámos um bom bocado junto ao Rio dos Mouros, que se encontrava completamente seco. Este é dos melhores singles-tracks que já fiz.

A passagem é muito estreita com bastante vegetação de um lado e de outro (a roçar nos alforges), e algumas zonas, de tão estreitas, requerem alguma técnica. A paisagem é do melhor.

 Encontrámos esta placa informativa que confirmava que estávamos no caminho correcto.

 Ainda fui espreitar a ponte, mas o seu estado de conservação (ou a maneira como deveria ser posta em destaque) não é ideal.

 Ainda bem que estávamos no caminho certo, porque a dúvida junto à aldeia de Poço iria levar-nos por esta serra acima. Felizmente, já tinha ficado para trás.

 Preocupados com a falta de água e comida, queríamos encontrar um local para comprar alguma coisa. Esse local foi a aldeia de Zambujal, onde parámos, junto à Junta de Freguesia, num pequeno café/mercado para reabastecer. A nossa ideia era comprar algo para fazer umas sandes e prosseguir caminho, mas o cheirinho dos frangos no churrasco que estavam a assar à porta do café foi mais forte.

Conseguimos convencer o dono do café a ceder-nos um frango que estava encomendado e a preparar-nos um arrozito para acompanhar com uma salada! Foi óptimo! O pior foi retomar o caminho! O calor apertava e apetecia era ficar à sombra a beber qualquer coisa. Também acabámos por perder mais algum tempo, mas a verdade é que sem comer também não teríamos ido longe. A localidade seguinte era Ansião e ainda faltavam muitos quilómetros.

 Depois de partir de Zambujal, encontrámos placas informativas sobre o GR26 e, durante algum tempo, seguimos por este percurso de Grande Rota que coincide com o Caminho de Santiago.

 Aspecto do percurso, pelo meio dos campos.

 

Pouco depois, comecei a sentir muitas dificuldades em progredir. Estávamos numa zona completamente à descoberto, com um calor intenso e um ar extremamente seco. Um dos ciclo-computadores, incluía a indicação da temperatura. Nesse momento, marcava 39º! Estava a assar que nem os frangos do churrasco! De repente, no meio do nada, surge um peregrino em sentido inverso, a caminho de Santiago, de mochila às costas, completamente sozinho. Calculo que uma aventura dessas em solitário deve ser algo bastante desgastante e uma grande forma de se pôr à prova.

 Mais umas marcas das setas…

 … tiradas numa pausa ao longo desta extenuante subida, onde só dava para ir mesmo a empurrar a mula! Lá em cima, o centro da aldeia de Costas do Adro com mais uma paragem rápida para comprar água para as reservas e beber um ice tea gelado em menos de 1 minuto!

 Voltámos a apanhar uns trilhos bem engraçados (mas agora numas zonas mais cobertas com algumas árvores) e apanhámos alguma estrada à chegada a Ansião.

 Fizemos mais um “breifing” em relação à nossa situação. Ainda estávamos longe e a hora estava a avançar. Decidimos encurtar uma pequena parte do percurso, seguindo por estrada e adoptando uma técnica de estrada. Durante alguns quilómetros (não muitos) seguimos por uma estrada mais ou menos plana, numa formação em linha, com as nossas rodas separadas por um palmo de distância, a uma velocidade de cerca de 40 km/h!!! Nunca tinha andado tão depressa durante tanto tempo (a não ser a descer, claro!). Com este desvio recuperámos algum tempo, mas mais adiante com uma pausa prolongada para reabastecimento e outra pausa (forçada) por furo, acabámos por voltar à estaca zero.

 O percurso levou-nos até à zona da Estação de comboios de Caxarias. Tivemos de atravessar a linha, descendo pelo túnel de acesso ao cais oposto, mas saindo directamente do outro lado.

 Um pouco adiante chegaríamos à pior parte do trajecto. Começamos a subir uma serra por um caminho nada recomendável, cheio de mato, silvas, tojo… etc. É óbvio que foi penoso, visto que com tanta vegetação e pela subida íngreme, nem dava para pedalar e as pernas é que se lixaram, ficando cheias de arranhões.

 Foi uma parte bastante penosa do percurso. Não sei se corresponde verdadeiramente ao caminho de Santiago, mas a verdade é que as setas (quer azuis, quer amarelas) já tinham desaparecido muito tempo antes.

Chegados novamente à estrada e ainda apanhámos uma zona engraçada com um estradão de terra enorme que descia vertiginosamente e voltava a subir.

Esses últimos 20 km foram um sacrifício: já era tarde (perto das 20h), a fome já apertavam, já faltava água… Pouco antes de chegar a Ourém, já estava a ficar para trás em relação aos outros (que estavam, convém referir, melhor preparados que eu!), mas já não dava mais! Para facilitar-me a vida e chegar mais cedo, trocou-se de bicicletas.

 Fiquei com uma Specialized Epic de quase 3000€ (e sem alforges) entre as mãos, ou melhor, debaixo do rabo! Fiquei com a tarefa mais facilitada (embora o banco não me agradasse e o banco da minha Trek não agradou a quem a levou).


 A troca permitiu-me ganhar novo alento para chegar ao fim (e ainda faltava a subida interminável até Fátima), mas quem levou a minha bicla, começou a sofrer também. Será que o problema é da bicla?

 Finalmente a chegada a Fátima com uma foto espectacular da rotunda dos Pastorinhos.

 A foto de grupo para comprovar a chegada ao destino!

 A perspectiva da nova basílica de Fátima.

 Os números do dia! A distância total!

 O tempo a pedalar! Quase 7h e meia  em cima do selim!

 A velocidade média.

 

 

Este segundo dia foi bem pior que o anterior, tal como prevíamos. O terreno era muito mais difícil e foi complicado chegar ao destino.

Lição retirada desta aventura: NÃO FAÇAM EM 2 DIAS!

Não recomendo mesmo nada que se faça a viagem em 2 dias. Nós acabámos por fazê-lo porque não tínhamos hipóteses de meter um dia de férias para criar um fim-de-semana prolongado. Foi pouco tempo e não deu para “apreciar” devidamente os locais por onde passámos.

 Em jeito de balanço, foi uma grande aventura, um pouco ambiciosa demais ao querermos fazer isto tudo em apenas dois dias, mas como já disse, foi uma escolha forçada. No 1º dia, o percurso não teve grande piada, mas no 2º já foi muito melhor. Houve excelentes momentos de BTT, de camaradagem e grandes paisagens.

Houve também momentos caricatos como por exemplo na última pausa antes da subida para Fátima, parámos junto a uma casa à beira da estrada. De repente ouve-se um estrondoso “Gooooooooooloooooo!!!!”. Ficámos a olhar uns para os outros, sem saber quem teria marcado no jogo da Final do Euro2008, Espanha ou Alemanha? Um de nós disse isso mesmo em voz alta (mas sem que ser ouvido dentro da casa, claro): “Golo de quem!?” e do outro lado surgiu a resposta: “Golo da Espanha!!!!”. A gargalhada foi imediata.

 

Venham mais aventuras destas!

Boas pedaladas

Daraopedal

 

PS: Podem encontrar o relato dos aventureiros que me inspirou aqui e o track de GPS aqui e aqui também.

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