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04
Jul06

Caminho de Santiago - 1ª etapa - 15/06/06

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Finalmente foi desta vez! Após três anos sempre a falar na ida a Santiago de bicicleta, era este ano! Esta ida tinha, até agora, sido continuamente adiada por motivos de força maior, entenda-se essencialmente lesões do BTT ;-) Mas este ano, lá consegui dar uns passeios e uns treinos sem quedas e chegar à altura da partida em boa forma!
Mesmo assim, a aventura esteve em dúvida até à véspera, visto S. Pedro resolver fazer das suas já que, após uns dias de calor tórrido, resolveu brindar o pessoal com umas trovoadas e chuvadas que deixaram no ar a possibilidade de já não ir. Ficou combinado ver o tempo no dia da partida.
Dia 15/06/06
6h15 da manhã! Bom tempo! É mesmo para ir! Espero que S. Pedro dê uma ajuda. Carregadas as biclas, foi seguir até ao Porto para iniciar a aventura. Foi necessário fazer uns quilómetros desde o local onde ficaram os carros até à Estação de S. Bento, onde colocamos o primeiro de muitos carimbos na credencial de peregrino que iria comprovar os pontos do nosso percurso. Subi até à Sé do Porto e, frente ao seu pelourinho, tirámos uma foto para marcar o local de início da peregrinação.
Depois foi só seguir as setas pelas ruas muito “sui géneris” da baixa do Porto, onde se confrontavam marcas históricas aclamadas e reconhecidas e marcas dos dias de hoje, muito menos consensuais quanto ao seu valor.

 
A confusão surgiu quando se teve de decidir qual o percurso a seguir. Existem dois percursos distintos: o Caminho Português Central que segue em direcção a Barcelos e o Caminho Português do Interior que, por sua vez, passa por Braga. Ambos se encontram em Ponte de Lima, mas seguem vias separadas dentro da cidade do Porto: o primeiro sai do Porto pela rua de Cedofeita em direcção ao Carvalhido e à Prelada e o segundo segue na direcção do Hospital S. João. A ideia inicial era seguir o caminho Central, mas as indicações dadas pelo GPS conduziram-nos pelo segundo caminho. Foi necessário voltar um pouco sobre os nossos passos (leia-se pedaladas) para reencontrar o caminho correcto junto à Igreja do Carvalhido.

Tempo para parar ainda numa pastelaria e armazenar algumas forças e tomar um café para acordar. Agora sim, toca a pormo-nos ao caminho (e já tinha cerca de 20 km nas pernas mesmo antes de sair do Porto).
Depois de atravessar a estrada da circunvalação, foi só seguir as setas amarelas (e esquecer o GPS). Estas levaram-nos por Padrão da Légua, Custóias, Gondivai, Araújo. Junto ao Padrão de Araújo virei à direita em direcção à Ponte Romana da Azenha e atravessei a EN 13 (Via Norte) onde o trânsito perigoso e o separador central não facilitaram a vida. Segui pela Maia, passando pela sua zona industrial (um dos seus muitos pólos) até Barreiros da Maia. Prossegui viagem por Vilar do Pinheiro, Mosteiró, onde parámos novamente para voltar a comer algumas barras energéticas e a poção mágica (e secreta) das bananas secas que sabem a figos secos :-)
Aí cruzei-me com o primeiro peregrino que fazia o caminho a pé. Sozinho, de mochila às costas (onde se destacava a pequena concha – a vieira - que identifica os peregrinos) e cajado na mão, impressionou-me a determinação com que caminhava e a rapidez com que nos alcançou durante essa pausa. Já o tínhamos ultrapassado uns largos minutos antes, muito lá atrás… Voltaria a encontrá-lo depois de retomar o caminho já uns largos metros adiante de onde estava parados! Impressionante mesmo…´
Cruzaria depois Vilar do Pinheiro e Vilarinho antes de chegar a Ponte medieval que cruza o rio Ave - a ponte D. Zameiro.

Um local muito aprazível onde nos apercebemos que já naquela época as pontes eram de extrema importância. De lamentar apenas o facto de uma parte da ponte ter derrocado e a sua extremidade estar vedada com uma rede impossível de transpor.

Fui obrigado a voltar atrás, mas mesmo assim, as indicações não falharam. Quem sinalizou o caminho com setas já tinha indicado um desvio alternativo ao percurso inicial. Acabei por passar o rio numa ponte muito menos bonita numa estrada nacional. A nacional deu lugar a caminhos em terra no meio dos montes e campos até chegar a S. Pedro de Rates e logo no dia da festa em que as ruas ficam cobertas com um tapete de flores lindíssimo.

Um trabalho de paciência que mereceu uma observação atenta e fotografias para o registo de viagem!

Continuamos passando por algumas zonas do caminho se confundiam com o GR 11.

A hora do almoço aproximava-se e Barcelos ainda estava a 10 km (demasiado longe para o meu estômago). Confesso que era o que mais se queixava com a fome! Decidiu-se parar num restaurante em Pedra Furada onde comi a melhor sopa de legumes da minha vida! Ou terá sido um efeito da fome? ;-) A verdade é que os rojões que vieram a seguir não souberam tão bem… Na TV do restaurante, as imagens mostravam o efeito do mau tempo (granizo) que tinha arruinado algumas zonas do Douro vinhateiro. Eu só pensava na sorte que estávamos a ter com o sol a brilhar (forte demais até!) e pedia para que a chuva não aparecesse.
A passagem seguinte foi por Barcelos.

 
A vista da ponte é muito agradável e a perspectiva do alto do Paço ducal merece o desvio (que eu fui o único a fazer), ainda por cima, nesta altura de mundial, era possível ver que o apoio à selecção estava em todo o lado.

À saída da cidade, o ambiente das marchas populares estava no ar…

Continuando o caminho, apanhei uma subida depois de passar perto do estádio de Barcelos (Gil Vivente) que empenou q.b., ainda por cima se tivermos em conta o calor que estava… pffftttt!!!! Mas foi mais uma vitória! :-) Passados mais ou menos 10 km de Barcelos cheguei à Ponte das Tábuas.

Uma zona espectacular que convida mesmo a um mergulho, o tempo (ou melhor, a falta dele) é que não dava para isso.

Segui em direcção às EN 204, ouvindo a música das fanfarras no alto da Senhora da Aparecida e só pedia que o caminho não me obrigasse a subir até lá acima. Felizmente não foi necessário! Prossegui por entre campos e montes sem problemas até Ponte de Lima,

onde a chegada se faz pela alameda dos plátanos, com uma vista espectacular da ponte sobre o rio Lima! O ciclocomputador não enganava, foi a primeira vez que ultrapassei a barreira dos 100 km.

Depois de uma pausa para comer alguma coisa, fizemos o “check-in” na pousada da juventude. Total: 101.67 km em 6h12 e com uma velocidade máxima de 52 km/h. S. Pedro estava mesmo comigo. Pouco depois de chegar à Pousada desatou a chover e trovejar, a tal ponto que foi necessário chamar um táxi para ir jantar ao centro da cidade. Enquanto esperávamos pelo táxi, muitos betetistas iam chegando cansados e molhados. As biclas iam-se acumulando na entrada da pousada.

O dia seguinte seria mais um dos duros…

Clica para a 2ª etapa.

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