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15
Nov15

Lisboa - Fátima - Tomar [Caminho do Tejo] - Dia 1

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Já foi em 2008 que fiz o caminho de Fátima, partindo de Oliveira de Azeméis até ao Santuário, e pouco depois comecei a ouvir falar do caminho do Tejo. Trata-se de um percurso que é comum ao Caminho de Santiago e que se encontra marcado desde Lisboa. O início é na capela na rua de Santiago, junto ao Castelo de S. Jorge, passa pela Sé de Lisboa, antes de descer até junto do Tejo, que vai acompanhando, daí também ser conhecido como o Caminho do Tejo. O caminho de Santiago não segue por Fátima, no entanto foi criada uma variante que segue para Fátima. A associação que coordenou estes trabalhos é a Associação dos Amigos do Caminho de Fátima, que tratou da marcação no terreno e criou um site muito completo que recomendo para quem quiser fazer este caminho. Já andava com vontade de conhecer esse percurso há vários anos e finalmente surgiu a oportunidade. Foi uma aventura em BTT diferente, já que foi feita em solitário. Era algo que vinha a pensar fazer um dia, mas uma ou outra razão (sensação de falta de segurança, hesitação, etc.) tinham-me levado a nunca ter feito uma aventura em BTT desta forma.

Para além disso, as notícias que surgiram no início do ano, indicando que a CP permitia agora levar a bicicleta em viagens de longo curso nos comboios intercidades, também vieram facilitar as logísticas.

A minha ideia era ligar Lisboa, Fátima e Tomar em 3 dias, sem correrias e sem exageros, pois por vários fatores, o tempo para treinar é quase nulo e minha preparação era mínima.

Dividi o trajeto em 3 etapas:

1ª Lisboa - Santarém (90 km) - etapa praticamente toda plana e bastante rolante

2ª Santarém - Fátima (60 km)- etapa mais difícil com a passagem pela Serra de Minde a ser bastante complicada, especialmente com calor.

3ª Fátima - Tomar (30 km) - etapa caraterizada pelos declives em altos e baixo sucessivos e pela dura passagem pelo trilho pedestre da serra.

 

Ficam as fotos com algumas informações sobre o percurso:

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A "Precious" em mais uma aventura. Aqui devidamente acomodada nos espaços previsto para esse efeito no intercidades.

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Chegada à estação do Oriente em Lisboa. A partida foi feita a partir daqui e não a partir do Castelo de S. Jorge, já que pelo tempo disponível para chegar a Santarém, a ida ao até esse local implicava andar para trás, pelas ruas movimentadas e perder tempo.

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Segui pelo Parque das Nações.

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Sob a pala do Pavilhão de Portugal.

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Junto ao Pavilhão de Portugal e à marina, encontra-se o primeiro marco do Caminho de Fátima. O local é simbólico e marca o ponto de partida "oficial".

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As marcações do caminho de Santiago são feitas pelas setas amarelas e/ou pelo símbolo da concha/vieira amarela, enquanto o caminho de Fátima está marcado com setas azuis ou um azulejo em linhas azuis, com um símbolo representando um caminho até a uma azinheira.

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Pelo caminho vamos encontrando as marcações quase sempre lado a lado.

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Passagem pela torre Vasco da Gama - um vestígio da Expo98 - com o novo hotel ali construído.

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Direção à Ponte Vasco da Gama, seguindo-se por passadiços sobre as águas do Tejo.

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Um registo fotográfico fantástico.

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Caminho partilhado com caminheiros junto ao Parque do Tejo.

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Um marco com a seta de Santiago e o azulejo de Fátima (danificado) junto à foz do rio Trancão.

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O percurso segue ao longo do Trancão e passa sob a autoestrada.

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O sifão do canal do Alviela ou arco do Canal de Alviela.

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Mudança de margem do rio Trancão, passando junto a um stand automóvel.

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Esta parte do trilho é muito engraçada, pois segue por um single track pelo vale do Trancão e parecemos estar longe do reboliço da capital.

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Uma passagem improvisada sobre um dos canais de rega encontrados pelo caminho. Ainda deu para encontrar cavalos à solta pelo caminho e furar a bicicleta (ainda a procissão ir no adro) e ter de tratar do furo ao sol.

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Aspeto do percurso

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Canavial

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Sinalização do município de Vila Franca de Xira para os caminhos.

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Mais uma passagem improvisada perto de Vialonga.

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Passagem sobre a linha do Norte em Póvoa de Santa Iria.

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Apanhei aqui uma zona que parece ter sido arranjada com trilhos marcados por onde segue o caminho. Foi juntar o útil ao agradável.

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Praia dos pescadores junto ao rio Tejo.

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Depois de ter abandonado o Tejo quando tive de seguir pelo Trancão, eis que ele volta a aparecer.

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O caminho é mesmo por aqui e a seta não deixam dúvidas.

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Esta parte do percurso é mesmo muito agradável.

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Os passadiços dão lugar a uma pista em terra batida, ideal para pedalar.

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Este é o caminho.

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Assim cheguei a Alverca, junto à sua estação de comboio...

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... à beira da qual fica o museu do ar.

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O caminho obriga-nos a atravessar o edifício para transpor a linha, mesmo estando bicicleta com alforge, não houve problemas em atravessar o edifício graças aos elevadores. Aproveitei para almoçar por Alverca, onde perdi bastante tempo devido ao mau atendimento do local onde fiquei. Mas adiante, depois de sair da cidade, encontramos trilhos por campos, mas depressa encontramos zonas industriais e fábricas, o que tira qualquer beleza ao percurso.

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Passagem pela EN 10 junto à cimenteira de Alhandra.

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Depois de chegar ao centro de Alhandra voltei a encontrar o Tejo.

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Existe uma longa ciclovia junto ao rio por onde segue o caminho, uma forma segura e agradável de continuar o caminho.

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Caminho pedonal ribeirinho.

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Existem painéis de graffitis bem engraçado ao longo da ciclovia.

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Outro original junto à Praça de touros.

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O Tejo majestoso.

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A ciclovia, o Tejo e a Ponte Marechal Carmona.

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O cais local com a ponte em fundo.

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Estátua junto...

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... à entrada do Jardim Constantino Palha.

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O jardim é muito agradável e convidava a ficar, mas o caminho chamava por mim.

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Depois de abandonar o centro de Vila Franca de Xira, entrei numa zona de campos secos e restolho...

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e retas a perder de vista por zona industriais em construção. O calor intenso e o ar meio abandonado da zona de Castanheira do Ribatejo tornaram-na algo penosa a percorrer.

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Vista para a central térmica do Carregado. Seguiram-se campos e estradas secundárias até Vila Nova da Rainha.

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Aí, somos forçados a seguir pelas bermas da EN3, uma estrada perigosa com muito movimento, em especial de camiões. Uma zona perigosa até à Azambuja.

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Nova passagem sobre a linha de comboio na estação da Azambuja.

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Encontrei então a Vala da Azambuja. A partir daqui segue-se por vastas zonas agrícolas, com propriedades enormes. O calor e a falta de água começaram a fazer-me penar.

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Foi com agrado que cheguei a Valada, onde parei no primeiro café que vi para repor forças.

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A curiosidade desta zona é o facto de viverem paredes meias com o dique que protege das cheias do Tejo. Acima, a vista de um lado do dique...

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... e a vista do outro lado.

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A pedalar em cima do dique.

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Ponte rainha D. Amélia.

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Mais lezíria e mais dique.

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Já perto de Santarém, um marco com as indicações dos níveis das cheias do Tejo. A entrada em Santarém a partir do aeródromo local fez-se por uma subida que foi um bocado penosa fruto do desgaste dos quilómetros e da falta de resistência.

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Seminário de Santarém.

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Mercado de Santarém.

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Jardim central de Santarém

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Dados do dia.

Foi tempo de um descanso merecido num hostel - o santaremhostel - um local muito agradável.

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Clica na imagem para a 2ª etapa

15
Nov15

Lisboa - Fátima - Tomar [Caminho do Tejo] - Dia 3

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O 3º dia da aventura era o mais curto (30 km), mas nem por isso seria o mais fácil. Os quilómetros dos dias anteriores iam acumulando e o terreno revelou-se algo complicado nalgumas zonas, em especial na serra atravessada a meio do trilho, onde o caminho apenas é acessível a alguém que viaje a pé. Passar com a bicicleta é muito complicado, ainda mais com alforges. A única vantagem é ser quase sempre a descer, mas aranhões e pernas a sangrar são uma certeza.

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A partir de Fátima, a sinalética inclui a informação sobre Tomar.

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O adeus ao Santuário de Fátima.

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Vários moinhos pela zona.

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Aspeto do trilho: muito duro com o chão de pedra calcária.

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Curiosa sinalética.

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Campo de papoilas.

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Uma zona bem rolante por entre campos e oliveiras.

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Para não haver confusão.

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Pouco a pouco o caminho vai dando lugar à serra e à zona complicada de passar.

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A foto parece tirada num local que para mim podia ser no meio da Austrália.

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Para ter uma ideia do trilho...

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e de quão complicado era.

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Travessia da linha de comboio em Fagulhos.

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Finalmente, um dos objetivos à vista: o Aqueduto dos Pegões.

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Uma obra impressionante do séc. XVI que servia para abastecer o Convento de Cristo.

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É uma obra fabulosa.

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Em qualquer perspetiva.

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Era um dos objetivos da viagem e vale bem a pena.

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O trilho cruza o aqueduto...

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... e continua ao longo dele durante um bocado.

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Finalmente o Convento de Cristo à vista.

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Para o registo da chegada: as placas.

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O final da viagem junto à entrada do Convento de Cristo.

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Claro que não podia deixar de visitar e conhecer a famosa janela manuelina. Todo o complexo do convento é impressionante e não percebo como é que a Guerra dos Tronos ainda não foi gravada ali.

O balanço da aventura foi do melhor: 180 km de paisagens desconhecidas em autonomia e em solitário até Tomar.