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Arouca – Areinho – Arouca (23/07/06)

31.07.06 | daraopedal
Com o calor que estava, passar o dia no rio era uma óptima ideia.
Com o calor que estava, passar o dia no rio indo até lá de bicicleta, já parece, para muita gente, uma ideia menos boa.
Mas foi mesmo assim.

A ideia era sair cedinho para evitar o calor. Mas quem é que consegue acordar cedo um domingo de manhã?
Por isso eram 11 horas e o pessoal lá começou a pedalar, partindo da câmara municipal. O percurso era simples, afinal era só ir pela estrada 326-1, em direcção a Alvarenga.
A dificuldade era mesmo o facto de metade do percurso ser a subir e outra metade ser a descer. A altitude do ponto de partida era de 304m e o ponto mais alto atingia cerca de 640m e o final ficava a 168m acima do nível do mar.
A subida inicial fez-se bem e a descida ainda melhor, já que cheguei à velocidade máxima de 68.5 km/h. Não dava mais! Os pneus não deixam :-D
A chegada à praia foi pouco depois do meio dia.

A praia do Areinho é uma das praias fluviais de Arouca e é a primeira a ter (pela 1ª vez) bandeira azul!

É um óptimo local para passar algum tempo e beber umas caipirinhas no barzinho com um grupo de amigos à noite.
Entre banhos de água e de sol, o dia passou muito bem. Deixámos para o final da tarde o regresso para evitar o calor e o sol na “hora do cancro”.
O regresso começa logo muito bem! A subida da estrada secundária que liga a praia à N326-1 é uma daquelas subidas que deixa o coração a bater no “Red line”. Logo aí, foi preciso parar para recuperar o fôlego.

Parece que não há ar que chegue nessas alturas! Pelo menos dá para apreciar a vista da ponte de Alvarenga sobre o rio Paiva.
Depois não há história, é encontrar o ritmo certo e pedalar, pedalar, pedalar… até chegar ao fim da subida, muitos quilómetros lá à frente e lá em cima. Ao longo dessa subida, o grupo dividiu-se fruto dos andamentos muito diferentes. A descida até Arouca é mais uma daquela que se faz em 10 minutos depois de uma hora a subir… So much hard work, for so little fun!
De qualquer maneira, por estes lados este é o lema: “Subir muito tempo, para descer em pouquíssimo” :-D
Mesmo assim, eu adoro!
Boas pedaladas
Daraopedal

Uma sugestão diferente – a BUGA

28.07.06 | daraopedal

Para quem vive na região centro ou simplesmente para quem for dar uma volta pelos lados de Aveiro, existe uma maneira simples e divertida de conhecer a cidade. A BUGA (Bicicleta de Utilização Gratuita de Aveiro) é uma bicicleta gratuita e disponível para quem quiser dela usufruir.

  

Foi criada em 2000 e permite percorrer as várias ciclovias que existem pela cidade. A verdade é que as BUGAs já não são o que eram, e algumas encontram-se um pouco danificadas. Mesmo assim, permitem percorrer locais tão emblemáticos como a Avenida Lourenço Peixinho, o Mercado do Peixe, o Jardim do Rossio, o Campus da Universidade.

 

Em princípio, desde que não tenham de efectuar nenhuma travagem de emergência (as BUGAs só têm travão de trás e a minha travava mal como o raio), deve correr tudo bem!
 
Eu gostei muito da sensação de mobilidade que proporciona e acho que depois de andar com aquilo, vou colocar também um daqueles cestinhos no guiador na minha BTT LOL :-D
 

Só mais uma coisa: para quem estiver interessado a rota da Luz oferece um pequeno panfleto com 3 percurso à escolha para descobrir Aveiro.
 
Boas pedaladas e bom passeio
Daraopedal

Relato do percurso Arouca - Srª Mó - Gamarão - S. Adrião - Barragem Seixo - Arouca (2006/07/04)

25.07.06 | daraopedal
Nada como um bom passeio bem durinho, para acabar a tarde a pensar: “Porra que estou todo partido! Mas sinto-me um espectáculo!”. Que levantem a mão os betetistas que nunca se sentiram assim!
Parti então um pouco sem destino mas com a firme intenção de fazer a habitual etapa da Senhora da Graça cá da zona, ou seja, a subida à Sr.ª da Mó.

Um pequeno aparte - para quem não conhece, Arouca é uma pequena vila, sede de concelho, que faz parte do distrito de Aveiro e que se situa a cerca de 40 e poucos quilómetros do Porto e cerca de 60 de Aveiro. Acho que é um sítio ideal para a prática do BTT, pois contempla zonas de muita beleza, com serras (Serra da Freita! Os betetistas do norte certamente conhecem!) e rios espectaculares!
Então a ideia era subir pela enésima vez a serra que domina a vila de Arouca.

No seu cume, pode-se encontrar uma capela com uma arquitectura muito particular e uma cruz que domina as noites escuras das serras das redondezas, brilhando e indicando que Arouca fica no sopé desse monte.

A subida à Sra. da Mó é sempre algo que gosto de fazer. Apesar de não ser nada de especial enquanto percurso (pois é essencialmente estrada) a verdade é que a vista sobre o vale de Arouca deslumbra sempre

(qualquer motivo é bom para tirar fotos, mas este é melhor ainda!), além disso é um óptimo barómetro para conferir o minha forma :-) Se custar muito a subir é porque estou a precisar de uns treinos, se não custar nada é porque estou a treinar demasiado e, afinal,  a vida não é só isto!
Desta vez reconheço que custou um bocado mas a razão foi outra. Subir, parando de 5 em 5 minutos para tirar fotos é mau sistema! Tudo bem que há-que documentar o blog, mas sem exageros! Mas pronto! Desta vez dediquei-me à foto :-D

A subida à Sra. da Mó equivale mais ou menos a 7 ou 8 kms (dependendo da estrada pela qual se opta ao sair do centro da vila). E em dias de sol custa q.b.!
Uma vez no cima toca a tirar mais umas fotos e toca a andar que se faz tarde!
O percurso continua naquela que é a vertente oposta à que está virada para a vila de Arouca junto a uma construção que é o local do tiro ao prato em Arouca.

Lá existe um pequeno trilho que desce até apanhar um caminho de acesso aos montes que até bem pouco tempo estava cobertos por uma mancha verde de pinheiros.
Esse tal caminho segue na direcção nordeste até chegar a uma curva acentuada e um cruzamento com um caminho em sentido Oeste – Leste. Deve-se seguir para Oeste ou seja virar à esquerda e logo a seguir surgem duas alternativas: seguir em frente a subir ou virar à direita num caminho plano que surge com uma marca amarela e vermelha (dos percursos pedestres). O critério é a escolha e a força do freguês :-) Tanto dá ir por um, como pelo outro. Ambos vão dar ao mesmo local, um caminho que é atravessado pela linhas de alta tensão (a coluna fica mesmo na beira da caminho, junto a uma pequena subida).

Logo a seguir, encontra-se uma antena de telecomunicações à margem do caminho, que se divide em dois trilhos paralelos.

 
Um pequeno aparte: isto parece complicado, mas não é assim muito! Mas para simplificar a coisa para quem quiser fazer isto sem conhecer a zona, deixo aqui um vista aérea do Google Earth para ilustrar. Espero que ajude :-)
 

No fim, uma pequena subida e uma grande descida muito técnica (muita pedra, muito porreiro!!!). Bastou seguir depois o trilho principal até chegar à estrada 326-1 em direcção a Alvarenga (ou seja virar à direita).

Mais à frente (pouco mais) encontra-se o cruzamento com indicações para Castelo de Paiva via S. Adrião.

Aí a subida é prós duros! O truque é começar devagarinho :-) até chegar ao cimo e avistar um campo enorme do lado direito que se destaca bem no meio do eucalipto (visão habitual na zona ).

Não há enganar e é só seguir por estrada sempre a descer e sempre a seguir as indicações na estrada que apontem para Castelo de Paiva até chegar a uma placa colocada do lado esquerdo (que curiosamente não se vê bem, porque está virada ao contrário)

 
que informa que estamos a chegar ao alto de S. Adrião.

A subida em terra até à capela é fácil e chegados ao cimo descobre-se uma vista espectacular, que em dias de céu limpo, permite ver facilmente o grande Porto.

Agora chega a melhor parte! Frente à capela existe um caminho de terra que passa mesmo junto a um cruzeiro.

Segui por esse trilho e foi sempre seguir esse caminho a descer. Passa-se junto de umas colunas de alta tensão

e continua-se seguindo sempre o caminho principal.

Apanha-se muita pedra por este caminho, pelo que só é aconselhável a quem tiver já alguma técnica. Ainda por cima existe uma parte da descida em que a inclinação é tanta que é quase necessário colar o estômago em cima do selim para não avançar por cima do guiador da bicicleta.

É nesta parte que se agarra o guiador com toda a força possível! Se cair é só pedra da grossa .
No fim da descida,

a recompensa é um lago artificial muito calmo onde a água está serena e os peixes abundam.

O sítio certo para parar e comer umas barrinhas para o resto do percurso que é novamente só estrada.

É possível circundar o lago pelas suas margens de bicicleta e até mesmo atravessar o riacho que o abastece a montante. Para sair daí é só seguir o estradão principal que se dirige para a estrada 224 onde se encontra placa que informa “Barragem do Seixo”.

Para regressar a Arouca é virar à esquerda (ou seja subir) e percorrer a sempre a mesma estada, passando e ignorando os cruzamentos que indicam sucessivamente S. Domingo, S. Mamede e Tropeço (nesse cruzamento surgem umas alminhas bastante originais). Depois é sempre a descer por estrada até chegar ao cruzamento de Stº António

e virar à esquerda até chegar novamente a Arouca.
Este percurso é fisicamente difícil (eu diria nível 4 ou 5 dependendo da preparação) e tecnicamente a parte de estrada como seria de esperar é muito fácil mas as descidas técnicas, em especial as do S. Adrião são muito difíceis (nível 5). De qualquer forma, para quem quiser experimentar, o empeno e o gozo estão garantidos!
Boas pedaladas
Dar.ao.pedal

Percurso Arouca - Srª Mó - Gamarão - S. Adrião - Barragem Seixo - Arouca (2006/07/04)

15.07.06 | daraopedal

Em breve colocarei cá um novo post com os detalhes do passeio feito no dia 04 de Julho, com partida e chegada em Arouca e passagem pelo Monte da Srª da Mó, Alto do Gamarão, Alto de S. Adrião, descida à Barragem do Seixo em Castelo de Paiva (Que picada!!!! 5*****) e regresso pela EN 224 até Stº António e Arouca!

Um Percurso duro q.b. e com bastante alcatrão (diria 70%) mas os 30% em terra são do melhor! Muitas descidas técnicas com vistas espectaculares! Muito bom para treinar ou simplesmente mudar um pouco as ideias!

Já me esquecia... Foram cerca de 35/40 km (isto pq andei a inventar em algumas zonas saíndo do percurso mais indicado) quanto à altimetria, lamento mas não tenho GPS ou ciclocomputador que me dê essa informação!

Em breve as fotos, mas para já vou coloco as imagens do percurso no Google Earth (o trabalho que tive para desenhar o percurso no mapa!).

Enjoy e Boas pedaladas!

Dar.ao.pedal

Caminho de Santiago – 3ª etapa – 17/06/06

07.07.06 | daraopedal
Último dia! Ainda nos restavam sensivelmente 60 km pela frente. A noite tinha sido mal dormida graças à confusão que um grupo de betetistas provocou e também devido a um indivíduo que ficou no beliche ao lado e que ressonava como um comboio. Aliás, os comboios que passavam junto ao albergue não incomodavam tanto quanto ele! Deve ter sido o único que dormiu bem essa noite e continuou a ressonar quando já toda a gente estava de saída… Impressionante! :-)
A manhã estava mais fresca e húmida do que nos dias anteriores e o tempo estaria ventoso e coberto de nuvens sombrias até cerca das 11h. Dirigi-me para o centro de Pontevedra seguindo as vieiras colocadas nos edifícios, o que nem sempre era evidente já que abundam vários cartazes e publicidades nas paredes, impedindo que as vieiras amarelas e fundos azuis se destaquem.

Perguntando ficámos a saber por onde seguia o caminho de Santiago

e uma particularidade curiosa: no centro da cidade existia uma linha com umas luzinhas azuis e uma inscrição em metal colocadas no chão que indicavam o caminho certo.

Passei perto da Igreja da Virxen Peregrina.

Depois de passar o rio Lérez, segui por algumas ruas secundárias calmas (será por ser sábado e ainda não serem oito da manhã?) onde aqui e ali surgiam alguns cruzeiros e obras de cantaria espectaculares que indicavam que estava no caminho certo. Depois, mais adiante, o caminho chega a uma zona verdejante e calma que segue paralela ao caminho-de-ferro. Uma zona muito húmida e muito agradável para pedalar. Mais adiante, cheguei a zonas residenciais onde alternavam caminhos em terra batida, ruelas em cimento e estradas nacionais. Nesta altura, já só conseguia pensar no ritmo sequencial do pedalar e tentava esquecer a dor no rabo depois de dois dias sentado naquele selim… :-( Confesso que comecei a sofrer como um verdadeiro peregrino. Apesar de não gostar muito de pedalar de pé, fiz muitos quilómetros desta forma para evitar colocar o rabo em cima do selim… E isto mesmo tendo usado sempre calções almofadados… A viagem seguiu penosa ao longo da EN 550 até Caldas de Reis e comecei a ressentir-me cada vez mais do cansaço e a acusar a diferença em relação aos outros. Numa longa recta antes de chegar a Caldas de Réis, os meus colegas de viagem distanciaram-se bastante… O desânimo e a fatiga começavam a aparecer… o trajecto não era bonito, nem agradável! Seguir ao longo de uma nacional onde carros e camiões passam a toda a velocidade, enquanto lutas contra o vento frontal e ainda as deslocações de ar que eles provocavam, vendo os teus companheiros a mais de um quilómetros de distância… Nada agradável mesmo! Penso que foi aqui que se revelou o facto de ser a primeira vez que fazia esta peregrinação . Até então, tinha aguentado bem a dureza do percurso, raramente ficava para trás em relação aos outros e apenas tinha sentido algumas dores nas pernas ao fim do 2º dia (isto para não falar das dores naquela parte posterior que desde o 1º dia não todos sentiam). À chegada a Caldas de Reis, estava completamente desgastado… Os outros já me esperavam na ponte sobre rio Umia à entrada
 

 e, logo aí, tive de comer uma “powerbar” e mais um gel para ganhar algum alento. Dirigimo-nos para o centro, passando frente a Igreja de Caldas de Reis,

e, próximo da ponte sobre o rio Bermaña,

voltámos a parar para comprar alguma coisa para comer.

 Pouco depois de Caldas de Reis, cheguei a um percurso espectacular! Talvez a melhor parte de toda a viagem: um trilho “single-track” no meio de uma floresta densa, com desníveis alternados, mas com muitas descidas rápidas.

Muito gozo garantido! Quase que deu para esquecer o cansaço! :-) Eram dez e pouco e ainda faltavam 30km para Santiago!

Toca a colocar uma pedrinha numa dos marcos que indicam o caminho para pedir ajuda a Santiago para conseguir chegar até lá! Passei a concentrar-me apenas em pedalar! Atravessei Ponte Cessures

e pouco depois cheguei a Padrón!

Nova paragem para comprar uns reforços num supermercado e descansar um pouco na praça do centro de Padrón!
Já só queria chegar ao fim… A subida até Teo foi mais uma dificuldade, não pelo percurso em si, mas antes pelo desgaste acumulado! Depois de mais uns quilómetros chega-se ao alto do Milladoiro de onde (finalmente) se consegue avistar Santiago de Compostela e a sua catedral! Tá quase!!!! Descida e travessia da linha de ferro e chegada à zona urbana. Para chegar ao centro ainda foi preciso vencer a subida pela rua junto ao hospital. Uma subida mortal, que só se consegue vencer graças à ansiedade de estar a chegar ao fim. E finalmente, lá estava Santiago! Entrei pela confusão labiríntica das ruas estreitas de traço medieval e pela multidão que circulava de loja em loja.

O relógio marcava 13h20 e o ciclocomputador 66.87 km!

Missão cumprida! Que satisfação… Ufffaaa

Chegou o merecido descanso e um merecido almoço enquanto Portugal jogava contra o Irão. Depois de retemperar forças, fui buscar a “Compostela” que é um certificado do cumprimento da peregrinação, outorgada pelo Secretário Capitular.

Seguiu-se a passagem pela catedral e pelo pilar na sua entrada, onde se cumpre o ritual dos peregrinos (cuja finalidade não percebi muito bem, confesso).

A passagem pelo túmulo do apóstolo foi impossível visto que estava uma multidão à espera e tinha sido decidido regressar de comboio ainda nesse dia. Uns pequenos “recuerdos” comprados à pressa numa loja e toca a seguir (procurar) a estação de comboios! Apanhei um comboio regional espanhol “cinco estrelas” até Vigo (onde as biclas iam super bem acomodadas) onde troquei para uma chocolateira da CP. Aí, as biclas (as nossas e de outros betetistas que tinham chegado no comboio anterior) foram quase umas em cima das outras… A viagem de Vigo até Portugal foi demorada mas as vistas foram boas (Caminha e Viana do Castelo). A chegada ao Porto aconteceu por volta das 22h em Campanhã e depois ainda foi necessário atravessar a cidade de bicla num nocturno imprevisto!
Correu tudo bem! A peregrinação tinha sido cumprida! O esforço e o cansaço tinham valido a pena! Sentia-me bem por ter conseguido! A repetir pró ano? Não sei ainda se será o mesmo percurso ou outro dos caminhos de Santiago, mas certamente que terei de voltar… Ficou o “bichinho”. Até breve Santiago…
PS: Espero que estes relatos sirvam de guia e/ou inspiração para todos os que desejem fazer esta peregrinação e aventura que é a ida a Santiago. Boa sorte e boas pedaladas para todos. Daraopedal
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Caminho de Santiago – 2ª etapa – 16/06/06

06.07.06 | daraopedal
O dia começou bem cedinho com o despertar um pouco antes das 7 da manhã, a noite tinha sido mal dormida devido ao calor do quarto e ao barulho no corredor de outros peregrinos. Engoliu-se o pequeno-almoço e já estava pronto para partir.

O tempo estava óptimo e não havia nenhum sinal de chuva. Os vestígios do dilúvio da noite anterior limitavam-se ao orvalho que estava na vegetação e que, em contacto com a pele, até refrescava. Dirigi-me para o centro histórico para cruzar o Lima na ponte que dá o nome à cidade.

As águas calmas do rio quase pareciam um espelho onde surgia o voo agitado das andorinhas madrugadoras, o ambiente bucólico ideal para iniciar mais uma dura jornada…

Pouco depois de passar a ponte surge um trilho muito estreito em lajes junto a uma pequena linha de água que serpenteia entre os campos e onde a passagem se torna um pouco difícil, o que me obrigou a desmontar a bicla e levá-la à mão, tentando não escorregar nas pedras húmidas.

O trilho continua seguindo a auto-estrada A3, passando por baixo de um viaduto e cruza-se uma pequena linha de água numa ponte improvisada com umas placas de metal(muito escorregadias por sinal). Essa zona junto à auto-estrada não deixa de ser uma zona agradável com uma vegetação variada, até que se chega à zona da Labruja e a sua famosa subida.

Essa sim é uma zona complicada!

Talvez a mais complicada de todo o percurso pois foi necessário empurrar as biclas à mão. Numa subida antes de chegar à cruz dos franceses, até foi preciso carregá-las às costas!

Toca a carregar a burra! :-D

Junto à cruz dos franceses, as fotos da praxe! É impressionante a quantidade de pedras que lá foram colocadas pelos peregrinos…

Aí, fui ultrapassado por um outro peregrino a pé, que tinha cruzado uns quilómetros antes e que nos alcançou com uma facilidade desconcertante. Seguiu o seu caminho com extrema facilidade enquanto eu penava com a mochila e a bicla às costas!

Peregrino de bicla também sofre… :-) No fim da subida, a chegada à casa do guarda-florestal surge como um prémio.

É possível reabastecer os cantis de água fresca e pensar que agora vai ser quase sempre a descer até Valença!
Confesso que, pelos relatos dos meus colegas que já tinham feito o percurso, pensava que a subida seria muito mais difícil, certamente o facto de termos feito essa parte do percurso de manhã, pela fresca, ajudou imenso.
Pouco depois passei por Rubiães onde foi recentemente inaugurado mais um albergue com óptimo aspecto!

E foram mais duas horas de caminho até chegar a Valença. Ainda se passou por S. Bento da Porta Aberta, onde se fez uma pausa para reabastecer num café próximo da igreja e depois seguimos a descer por um trilhos espectacular que começa junto à mesma igreja. Esse  trilho é perigoso q.b. quando se vai com uma mochila de oito quilos às costas demasiado alta e que nos bate, de vez em quando, contra o capacete! ;-) Era quase meio-dia quando cruzei a Ponte internacional de Valença do Minho!

Tempo de registar fotograficamente a saída de Portugal e entrada em Espanha!

A partir daqui as setas amarelas deram lugar às conchas/vieiras colocadas nas paredes dos edifícios ou em marcos de pedra onde surgia também a indicação da distância até Santiago.

Em Tui, o estômago dava horas e apenas tirámos algumas fotos junto à catedral para testemunhar a passagem, antes de nos enfiarmos no restaurante mais próximo (uma pizzaria).

De novo a caminho, passei pelo túnel das Clarissa em Tui onde registei, em foto, a passagem de todos menos a minha :-(
As ruelas de Tui são algo que merece o desvio, parece que o tempo parou e que estamos na época medieval!
Passados 5 km de Tui, cheguei a uma das zonas mais bonitas do percurso: a da zona da ponte das Febres.

Um trilho largo, com bom piso e rodeado de uma vegetação verdejante e agradável com um riacho a acompanhar-nos…

O melhor antecedeu o pior porque pouco depois cheguei ao Polígono industrial de Porriño, que não é mais do que uma enorme zona industrial com rectas que nunca mais acabam e sem nada de interessante. De registar, apenas a passagem pelo armazém de carros da Citroën (que só ele ocupa quase 2 km da recta, com centenas e centenas de carros alinhados) e a passagem superior sobre a linha de comboio que tem alguma piada quando feita de bicicleta. Depois foi seguir pela nacional até Porriño e de Porriño até Mós. Nesse percurso, cruzei-me com um grupo numeroso (uma quinzena) de betetistas portugueses (com alguns elementos femininos) – os Gondra Bike – que voltaríamos a encontrar pelo caminho.
Depois de Mós apanhei uma subida bem penosa de alcatrão onde o calor atrapalhou q.b.,

no cimo, e antes de descer até Redondela, encontrei um monumento comemorativo do Xacobeo.

Cheguei a Redondela ainda não eram 4h da tarde e o albergue ainda estava fechado.

De Redondela a Pontevedra ainda eram 15km. O pessoal estava moralizado, então decidiu-se prosseguir viagem. O céu carregado não deixava antever nada de bom, mas, mais uma vez, S. Pedro não nos deixou ficar mal.
A saída de Redondela foi penosa, visto que apanhei uma subida íngreme e as forças já se estavam a esgotar, além do calor não ajudar nada. No entanto, a paisagem era agradável com zonas de floresta. Depois da subida, uma descida rápida e larga com uma panorâmica digna de registo sobre a ria de Vigo.

Esse percurso acabou numa nacional (salvo o erro a EN 550) que custou percorrer, mas pela qual optámos, em detrimento de uma parte sinalizada do verdadeiro percurso, para chegar mais rapidamente porque o tempo estava a ameaçar chuva e o pessoal já estava a ficar cansado. Mesmo assim, custou, mas foi uma boa opção já que chegámos cedo a Pontevedra, o que permitiu tomar banho e instalarmo-nos sem confusão no albergue. Refira-se que o albergue tem óptimas condições: uma camarata enorme, boas casas de banho, uma cozinha, uma sala de jantar e até uma lavandaria.

Complicado foi encontrá-lo. Para quem não souber, fica a dica: é muito próximo da estação de comboios!

Acomodaram-se as montadas no exterior com as devidas precauções (leia-se cadeados)

mas a verdade é que elas não eram as únicas, já que, mais tarde chegaram outros grupos de betetistas, incluindo o pessoal do “Gondra-bike”. Ainda houve tempo para umas pequenas compras na cidade para lanchar, regressar ao albergue e repousar um pouco antes de ir jantar. Adivinham quem apareceu novamente? Exacto! A chuva! Depois de jantar, o cansaço dos 92.04 km em 6h27 pesavam e voltei para o albergue enquanto os outros ainda foram tomar café.

A noite foi muito má! Algumas pessoas que pernoitaram no albergue, "foram para os copos" e depois não deixaram ninguém dormir. Foi muito mau, uma manifesta falta de respeito pelos outros peregrinos e pelo espírito da peregrinação. Não deu para descansar muito, apenas repousar um pouco o corpo… No dia seguinte, esperava-me a última etapa!

Clica para a 3ª etapa.

Caminho de Santiago - 1ª etapa - 15/06/06

04.07.06 | daraopedal
Finalmente foi desta vez! Após três anos sempre a falar na ida a Santiago de bicicleta, era este ano! Esta ida tinha, até agora, sido continuamente adiada por motivos de força maior, entenda-se essencialmente lesões do BTT ;-) Mas este ano, lá consegui dar uns passeios e uns treinos sem quedas e chegar à altura da partida em boa forma!
Mesmo assim, a aventura esteve em dúvida até à véspera, visto S. Pedro resolver fazer das suas já que, após uns dias de calor tórrido, resolveu brindar o pessoal com umas trovoadas e chuvadas que deixaram no ar a possibilidade de já não ir. Ficou combinado ver o tempo no dia da partida.
Dia 15/06/06
6h15 da manhã! Bom tempo! É mesmo para ir! Espero que S. Pedro dê uma ajuda. Carregadas as biclas, foi seguir até ao Porto para iniciar a aventura. Foi necessário fazer uns quilómetros desde o local onde ficaram os carros até à Estação de S. Bento, onde colocamos o primeiro de muitos carimbos na credencial de peregrino que iria comprovar os pontos do nosso percurso. Subi até à Sé do Porto e, frente ao seu pelourinho, tirámos uma foto para marcar o local de início da peregrinação.
Depois foi só seguir as setas pelas ruas muito “sui géneris” da baixa do Porto, onde se confrontavam marcas históricas aclamadas e reconhecidas e marcas dos dias de hoje, muito menos consensuais quanto ao seu valor.

 
A confusão surgiu quando se teve de decidir qual o percurso a seguir. Existem dois percursos distintos: o Caminho Português Central que segue em direcção a Barcelos e o Caminho Português do Interior que, por sua vez, passa por Braga. Ambos se encontram em Ponte de Lima, mas seguem vias separadas dentro da cidade do Porto: o primeiro sai do Porto pela rua de Cedofeita em direcção ao Carvalhido e à Prelada e o segundo segue na direcção do Hospital S. João. A ideia inicial era seguir o caminho Central, mas as indicações dadas pelo GPS conduziram-nos pelo segundo caminho. Foi necessário voltar um pouco sobre os nossos passos (leia-se pedaladas) para reencontrar o caminho correcto junto à Igreja do Carvalhido.

Tempo para parar ainda numa pastelaria e armazenar algumas forças e tomar um café para acordar. Agora sim, toca a pormo-nos ao caminho (e já tinha cerca de 20 km nas pernas mesmo antes de sair do Porto).
Depois de atravessar a estrada da circunvalação, foi só seguir as setas amarelas (e esquecer o GPS). Estas levaram-nos por Padrão da Légua, Custóias, Gondivai, Araújo. Junto ao Padrão de Araújo virei à direita em direcção à Ponte Romana da Azenha e atravessei a EN 13 (Via Norte) onde o trânsito perigoso e o separador central não facilitaram a vida. Segui pela Maia, passando pela sua zona industrial (um dos seus muitos pólos) até Barreiros da Maia. Prossegui viagem por Vilar do Pinheiro, Mosteiró, onde parámos novamente para voltar a comer algumas barras energéticas e a poção mágica (e secreta) das bananas secas que sabem a figos secos :-)
Aí cruzei-me com o primeiro peregrino que fazia o caminho a pé. Sozinho, de mochila às costas (onde se destacava a pequena concha – a vieira - que identifica os peregrinos) e cajado na mão, impressionou-me a determinação com que caminhava e a rapidez com que nos alcançou durante essa pausa. Já o tínhamos ultrapassado uns largos minutos antes, muito lá atrás… Voltaria a encontrá-lo depois de retomar o caminho já uns largos metros adiante de onde estava parados! Impressionante mesmo…´
Cruzaria depois Vilar do Pinheiro e Vilarinho antes de chegar a Ponte medieval que cruza o rio Ave - a ponte D. Zameiro.

Um local muito aprazível onde nos apercebemos que já naquela época as pontes eram de extrema importância. De lamentar apenas o facto de uma parte da ponte ter derrocado e a sua extremidade estar vedada com uma rede impossível de transpor.

Fui obrigado a voltar atrás, mas mesmo assim, as indicações não falharam. Quem sinalizou o caminho com setas já tinha indicado um desvio alternativo ao percurso inicial. Acabei por passar o rio numa ponte muito menos bonita numa estrada nacional. A nacional deu lugar a caminhos em terra no meio dos montes e campos até chegar a S. Pedro de Rates e logo no dia da festa em que as ruas ficam cobertas com um tapete de flores lindíssimo.

Um trabalho de paciência que mereceu uma observação atenta e fotografias para o registo de viagem!

Continuamos passando por algumas zonas do caminho se confundiam com o GR 11.

A hora do almoço aproximava-se e Barcelos ainda estava a 10 km (demasiado longe para o meu estômago). Confesso que era o que mais se queixava com a fome! Decidiu-se parar num restaurante em Pedra Furada onde comi a melhor sopa de legumes da minha vida! Ou terá sido um efeito da fome? ;-) A verdade é que os rojões que vieram a seguir não souberam tão bem… Na TV do restaurante, as imagens mostravam o efeito do mau tempo (granizo) que tinha arruinado algumas zonas do Douro vinhateiro. Eu só pensava na sorte que estávamos a ter com o sol a brilhar (forte demais até!) e pedia para que a chuva não aparecesse.
A passagem seguinte foi por Barcelos.

 
A vista da ponte é muito agradável e a perspectiva do alto do Paço ducal merece o desvio (que eu fui o único a fazer), ainda por cima, nesta altura de mundial, era possível ver que o apoio à selecção estava em todo o lado.

À saída da cidade, o ambiente das marchas populares estava no ar…

Continuando o caminho, apanhei uma subida depois de passar perto do estádio de Barcelos (Gil Vivente) que empenou q.b., ainda por cima se tivermos em conta o calor que estava… pffftttt!!!! Mas foi mais uma vitória! :-) Passados mais ou menos 10 km de Barcelos cheguei à Ponte das Tábuas.

Uma zona espectacular que convida mesmo a um mergulho, o tempo (ou melhor, a falta dele) é que não dava para isso.

Segui em direcção às EN 204, ouvindo a música das fanfarras no alto da Senhora da Aparecida e só pedia que o caminho não me obrigasse a subir até lá acima. Felizmente não foi necessário! Prossegui por entre campos e montes sem problemas até Ponte de Lima,

onde a chegada se faz pela alameda dos plátanos, com uma vista espectacular da ponte sobre o rio Lima! O ciclocomputador não enganava, foi a primeira vez que ultrapassei a barreira dos 100 km.

Depois de uma pausa para comer alguma coisa, fizemos o “check-in” na pousada da juventude. Total: 101.67 km em 6h12 e com uma velocidade máxima de 52 km/h. S. Pedro estava mesmo comigo. Pouco depois de chegar à Pousada desatou a chover e trovejar, a tal ponto que foi necessário chamar um táxi para ir jantar ao centro da cidade. Enquanto esperávamos pelo táxi, muitos betetistas iam chegando cansados e molhados. As biclas iam-se acumulando na entrada da pousada.

O dia seguinte seria mais um dos duros…

Clica para a 2ª etapa.