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Maratona de Alte 2009

28.04.09 | daraopedal

Esta foi a minha 2ª participação na Maratona de Alte. Na 1ª participação tinha-me inscrito na prova de 75 km e tinha adorado os trilhos, no entanto desta vez decidi fazer o passeio de 55 km, pois para longas distância tinha já bastado a Via Algarviana.

Já da 1ª vez tinha ficado impressionado com a dimensão do evento e o trabalho logístico que acarreta, especialmente para uma pequena aldeia como é Alte. Mais uma vez, a organização esteve à altura.

Na linha de partida, pouco antes das 10 da manhã (hora da partida), o pessoal acotovelava-se, pronto para arrancar.

Até um helicóptero a fazer a cobertura do evento havia! Antes da partida sobrevoou a multidão registando o evento para a posteridade. A meio do percurso voltou a aparecer, fazendo-me lembrar um pouco o que acontece nos Ralis do WRC ou no Dakar, com o heli a fazer de "batedor" da prova.

6 minutos e 44 segundos depois dos primeiros, lá cruzei a linha de partida. A parte inicial seguiu o mesmo percurso de há dois anos atrás, por entre os campos e laranjais até Benafim. Há dois anos atrás muitos tinha ficado pelo caminhos com correntes e desviadores partidos devido à lama que se acumulara nas transmissões. Desta vez não havia lama... mas sim pó. E muito!

A chegada a Benafim onde nos esperava a 1ª zona de reabastecimento.

O percurso seguiu então para Norte da EN 124 em direcção à aldeia de Penina, onde fomos saudados pelos habitantes, na sua maioria idosos - um reflexo do interior algarvio-. Subimos então até aos moinhos da Rocha da Pena, na foto, com uma separação dos percursos. Para os 55 km, era sempre em frente. Seguiu-se uma descida muito boa onde houve quem não tivesse escapado às quedas e consequentes mazelas.

A vista para a Serra do Caldeirão a partir dos Moinhos da Rocha da Pena. Seria nessa zona que grande parte do percurso ia passar.

2ª zona de reabastecimento: bolos, laranjas, bananas, barras de cereais, água. Nada faltava a não ser o civismo de muitos pretensos betetetistas que deitavam o lixo, especialmente garrafas de plástico, para qualquer lado.

A meu ver, inicialmente o BTT era uma modalidade de quem gostava do contacto com a natureza e respeitava o ambiente. Com a explosão do número de participantes, acho que chegou muita gente ao BTT que não partilha esses princípios. Para além das garrafas de plástico e embalagens de barras energéticas, até câmaras de ar deixam ficar no meio do monte! Uma VERGONHA!

Lembro-me que o percurso, há dois anos, passava igualmente nesta zona que era percorrida em sentido inverso.

A passagem por uma das inúmeras ribeiras que atravessámos.

A passagem pelo leito seco de outra ribeira.

A serra algarvia também é campos... sempre com uma sinalização impecável. Neste aspecto, a organização esteve muito boa.

Percorremos o vale da Ribeira de Arade.

Seguindo por caminhos de terra batida. Este foi um dos aspectos criticados pela maioria dos participantes dos 55 km, pois ao nível técnico o percurso foi muito pobre. Faltaram as zonas técnicas e os single tracks que a malta tanto gosta!

Mais uma zona de reabastecimento...

...junto à Ribeira de Arade.

Mais um estradão. O percurso foi muito rolante e o pessoal imprimiu na sua maioria um andamento muito intenso. No entanto, volto a repetir, BTT em caminhos destes não tem grande piada.

A travessia da Ribeira de Arade.

O percurso passou também por bastante alcatrão o que foi uma pena. Aquela subida na chegada a Santa Margarida é que foi valente! Mas deu algum gozo ultrapassar muita gente que já não aguentava e ia com a bicicleta à mão.

A hora da chegada!

Fiquei classificado em 300 e tal. Não foi nada mau, mas acho que chego novamente à mesma conclusão de sempre: não gosto do BTT como desporto, mas sim como meio de descoberta e de aventura. Este tipo de provas, apesar de ter a sua piada, são cada vez menos o meu género. Prefiro escolher o meu percurso ou arranjar um track na net e meter-me à aventura.

Mas voltando à prova, os banhos no final foram com água fria (brrr!!!!) e o almoço foi o que tinha levado de casa, para evitar mais uma fila (e mesmo assim só almocei quase às 16h!).

Em jeito de balanço geral, tive pena que o percurso dos 55 km não tenha passado no fabuloso single track da Ribeira de Algibre, por onde tinha passado há dois anos. No computo geral, a organização da prova merece os parabéns pois organizar um evento destes deve ser muito complicado.

Via Algarviana - Links para outros reports

21.04.09 | daraopedal

Via Algarviana - Rescaldo 1ª etapa

16.04.09 | daraopedal

Cá está o meu relato desta fantástica aventura de BTT que recomendo a qualquer betetista. É minha opinião que qualquer betetista que se preze deve, para além das idas a Santiago de Compostela e a Fátima, carimbar o passaporte com esta aventura...

... que liga Alcoutim, junto ao Guadiana e a Espanha ao cabo de São Vicente, junto a Sagres, atravessando o interior algarvios e os seus encantos (e dificuldades).

A 1ª etapa ligava Alcoutim a Vaqueiros com uma distância prevista de 59 km

O ponto de encontro foi junto ao cais de Alcoutim onde foram descarregadas as bicicletas e as malas.

Tivemos direito a um pequeno-almoço oferecido aos participantes. Foi bom comer mais alguma coisa para armazenar forças para o percurso.

A vista para Espanha junto ao cais do Guadiana...

... onde o grupo se juntou para a "partida oficial" e um pequeno briefing.

Lá seguimos então com o Guadiana em pano de fundo. O grupo era bastante grande, cerca de 40 betetistas, incluindo 3 mulheres. O andamento inicial foi calmo.

Em Cortes Pereira, o pessoal parou logo na primeira tasca que apareceu para beber qualquer coisa. Por lá, encontrei um casal, espanhol se bem percebi, que pareciam estar também numa aventura de bicicleta, mas em autonomia total. Essa era inicialmente a minha ideia para fazer a Via Algarviana, mas felizmente que coincidiu com a organização da Almargem que tratou da logística toda. Assim, só tive de me preocupar em pedalar.

Foto da minha nova "preciouss" - Specialized FSR XC Comp 2009 - junto a um poço em Cortes Pereira.

O caminho era fácil, com bom piso e permitia pedalar tranquilamente. A paisagem por sua vez estava salpicada pela paleta de cores primaveris: branco, verde, amarelo, violeta, cor-de-rosa, ... Esta é sem dúvida a melhor altura para fazer a Via Algarviana. Na primavera, o calor não é tão intenso como no verão e a natureza está em todo o seu esplendor.

Paragem nos Menires do Lavajo para apreciar este monumento. No local, soube-se que uma das senhoras, a inglesa Sue, que se tinha metido nesta aventura sem prática de BTT (apenas estrada) e com uma bicicleta inadequada, tinha tido uma queda. Foi um grupo para trás prestar-lhe apoio. soube depois que tinha tido uma queda violenta, acabando por ter de receber 3 pontos no joelho e 2 no cotovelo. Depois de ligar para o 112 (que voltou a não funcionar bem), os que esperavam junto dela ainda tiveram um susto, porque ela ainda desmaiou. Acho que tudo acabou bem, mas estou certo que tão cedo não esquecerá as férias da Páscoa de 2009 em Portugal.

Numa aldeia mais adiante, Corte Tabelião, uma pequena curiosidade: umas alminhas (ou um altar) com cortinas!

Ao longo do caminho estavam preparadas algumas surpresas. Aqui, em Corte da Seda (se não me engano), uma mesa posta com bolos (alfarroba? mel?) e licores à nossa espera. Uma paragem impôs-se!

Mais adiante, um outro altar junto ao forno comunitário da aldeia.

O trajecto leva-nos inicialmente para sul até cruzarmos o IC27.

Aqui, passagem debaixo do IC27 que liga Castro Marim a Mértola.

Pouco depois ainda deu para ver apreciar uma queda daquelas! Ao passar em cima de um ribeiro quase seco, o meu amigo escorregou e mandou um malho tremendo. O que vale é que não se aleijou (muito), mas ainda deu para rir, pois éramos 5 ou 6 a passar em conjunto e ele foi o único que caiu.

Agora passagem aérea.

Neste local surgiu um pequeno grupo que se tinha enganado num cruzamento e tinha seguido no caminho errado durante 3 km. A paisagem em frente era esta. Havia ainda de passar debaixo daquele viaduto, que foi o local escolhido para um pic-nic / almoço.

A foto depois de ter passado o viaduto.

Depois do pic-nic esperava-nos a travessia de uma ribeira e o seu leito com muita pedra e uma subida enorme, daquelas que só s pode fazer à mão.

Depois de pedalar (muito) durante algum tempo sozinho, acabei por chegar a Furnazinhas. Estava a ficar preocupado pois a minha reserva de água estava a acabar. Juntei-me à malta que já estava no café local para reabastecer. Nesta zona do Algarve, a maior parte das aldeias tem pouco mais do que um café (algumas nem isso) e restaurante ou minimercados nem vê-los, por isso é necessário ir com os abastecimentos necessários.

Indo em direcção a Balurquinhos e Vaqueiros! Já estava a começar a ficar moído. Este dia era supostamente o 3º mais fácil (mas também o 3º mais difícil), mas por ser o primeiro e não estar ainda no andamento, acabou por custar um bocado.

Passagem por uma reserva de caça.

As 3 marcas: vermelho e branco do GR 13 (Via Algarviana), amarelo e vermelho de um PR local e a flor de esteva da Via Algarviana original dos Algarve Walkers.

Cansado, acabei por chegar a Vaqueiros (em Inglês: "Cow-boys"), e disseram-me que afinal tinha de ficar na casa de Ferrarias. Só então me lembrei que o alojamento neste dia seria separado: um grupo em Vaqueiros e outro numa casa em Ferrarias e que isso ficava a 2,5 km de distancia. Depois dos quilómetros todos desse dia, foi penoso saber que tinha de voltar para trás para ir para Ferrarias. Se as minhas coisas não tivessem sido deixadas lá pela organização, acho que não saia mais dali.

Penosamente, lá fui até Ferrarias, uma aldeia que parecia abandonada. Tão abandonada (não se via ninguém, nem sequer do BTT) que achei que não seria ali e segui mais um pouco até chegar ao Parque da Mina da Cova dos Mouros.

Nesse parque temático, este estranho animal olhava para mim com cara de poucos amigos. Acho que é uma Ema ou qualquer coisa assim, mas é um pouco parecido com uma avestruz. Acabei por ligar para o responsável da casa que lá me indicou que era mesmo onde tinha passado. Lá cheguei, tomei banho (água fria) e estava com pouca vontade de ir novamente a Vaqueiros para ir jantar. Como não havia alternativa, e o dia tinha sido sem almoço (apenas sandes, fruta e barras), lá tive de fazer 2,5 km para cada lado em plena noite.

O pessoal que tinha ficado em Vaqueiros já tinha jantado e gozava o convívio. Eu, mal comi, pus-me logo a caminho para ir "p'rá caminha"! Já estava bem moído neste 1º dia.

Estatísticas:

63,8 km (71,3 km com as idas e vindas de Ferrarias)

Velocidade média 11,03 km/h

5h51m a pedalar (6h27m com as idas e vindas de Ferrarias)

1650 m  de subidas acumuladas

Clica na imagem para a 2ª etapa.

Via Algarviana - Rescaldo 2ª etapa

16.04.09 | daraopedal

A 2ª etapa ligava Vaqueiros a Salir com uma distância prevista de 60 km.

A alvorada foi cedo, acordar por volta das 7 da manhã para arrumar as coisas cedo para as carregar na carrinha da Megasport que nunca falhou ao longo da semana.

O pessoal a preparar-se para pedalar de Ferrarias até Vaqueiros onde estava o pequeno-almoço. Acabámos por ficar um bocado prejudicados por ter ficado na casa de Ferrarias pois era uma distância com a qual não estava a contar, mas tudo correu bem.

A foto da praxe frente à Igreja de Vaqueiros

Esta segunda etapa caracterizou-se por ser sempre aos altos e baixos. Era tida como a 2ª mais difícil, mas também proporcionou belas paisagens como a de cima.

Chegada a Cachopo.

Nas ruelas da vila, junto à Igreja onde se fez mais uma paragens estratégica (leia-se para comer uma bucha!)

Depois de sair da aldeia, apanhámos uma parte inicial a subir, mas essa levou-nos a uma descida brutal, até a uma zona junto a esta casa que mais parecia um castelo. O problema das descidas é que nos levam a lugares de onde só podemos sair com uma subida. E nesta parque do percurso isso foi constante. Passámos por algumas aldeias e perguntávamos por um lugar onde comprar comida e bebida. A resposta era quase sempre a mesma: não havia!

Já estava partido, mas ainda houve forças para a foto! Em Parizes (os franceses podem ter uma "Paris", mas nós temos várias - Parizes - :-D), sempre encontrámos um pequeno café onde já estava malta parada. Também voltámos a ter rede de telemóvel, o que é um facto assinalável, visto que em grande parte do percurso não há nada disso.

Seguimos o nosso percurso alternando entre descida valentes (feitas em poucos minutos) e subidas potentes (feitas em looongos minutos e à mão). O percurso é muito duro até chegar a Barranco do Velho.

Logo depois de ter passado pelo Parque temático da Serra do Caldeirão, uma zona muito bonita com um moinho reconstruído, um eira, casa do forno, casa do alambique e casa da cortiça.

Chegada às proximidades de Barranco do Velho - o Centro Comunitário de Nossa Senhora da Conceição.

Nesta antiga casa da JAE restaurada, a placa com os quilómetros marcava 70 km de Alcoutim e 23 de Cachopo.

Em Barranco do Velho perguntámos a uma senhora onde podíamos encontrar um café onde comer. Perguntou se tínhamos fome e trouxe-nos logo 3 laranjas para cada um. Um espectáculo! Seguimos pela estrada EN2 até ao Restaurante da Tia Bia, onde encontrámos esta parede pintada em "trompe l'oeil"...

... e um bom petisco de vitela para a malta forrar o estômago e animar o moral.

Seguimos pela EN2, passando junto da Ermida de Barranco do Velho.

Pouco depois da ermida, voltámos aos trilhos. Esta zona é muito boa para pedalar e proporciona paisagens deslumbrantes.

Um moinho no alto da serra. Um pouco depois apanhámos uma descida fantástica (a melhor de todo o percurso) com um pouco mais de 2 km. Havia malta a pensar ir para Salir por estrada, mas que acabaram por vir pelo trilhos. Digo-vos que não ficaram nada arrependidos!

A chegada a Salir fez-se por vários single-tracks entre matos e campos. Muito bom! Chegámos tranquilamente à aldeia onde ficamos alojados na Escola Básica.

Um alojamento de luxo com os colchões das aulas de Educação Física. Aqui água quente para os banhos!

Os número:

63,99 km percorridos

Velocidade média 10,10 km/h

2255 m de subidas acumuladas

6h20m a pedalar

Clica na imagem para a 3ª etapa.

Via Algarviana - Rescaldo 3ª etapa

16.04.09 | daraopedal

A 3ª etapa ligava Salir a Silves com uma distância prevista de 63 km.

Novamente o despertar foi cedo e pouco depois das 8h30 a malta já estava a pedalar. Percorremos uns pequenos trilhos por caminhos rurais em terra ou em cimento até perto da aldeia da Pena.

Aí seguimos para Sul até subir um monte que percorremos ao longo do seu cume em direcção a Benafim, sempre com a Serra da Rocha da Pena a Norte.

Passagem junto à Igreja de Benafim. Já conhecia o percurso entre Benafim e Alte por tê-lo percorrido numa caminhada nocturna com a Almargem.

A chegada à Fonte Grande em Alte, um local muito bonito e muito concorrido no verão pelos locais.

Pouco depois de passar pela aldeia de Torre tivemos direito a esta autêntica cúpula de vegetação. Quero ver como é que isto vai ficar se ninguém fizer a manutenção ao caminho. Neste local, o trilho tornou-se confuso com o GPS a apontar para um lado e as marcações para outro, até que desapareceram. Andámos um pouco à nora e decidimos improvisar e seguir a direcção do trilho com o GPS. Voltámos mais adiante a reencontrar o trilho certo, no entanto fica a chamada de atenção para a confusão existente neste local. Pelo que percebi depois em conversas, muita gente andou perdida neste local.

Continuamos em direcção a S. Bartolomeu de Messines e acabámos por avistar a auto-estrada A2. Ainda demoraríamos um pouco a passá-la porque o trilho segue para Sul e posteriormente em paralelo à mesma.

Viríamos a passar por baixo dela e depois debaixo do IC1.

Depois de passar o IC1, seguiu-se uma subida por uma calçada (romana?) bem durinha para as dores no rabo. No entanto, o cenário era bonito com uma plantação de abacates ao lado. Chegámos a São Bartolomeu de Messines passando junto à linha de comboio.

Foto junto À Igreja de S. Bartolomeu de Messines. Foi o 1º dia onde tivemos oportunidade de almoçar a sério. Fomos a um café perto da Igreja e tivemos direito a um strogonoff (o única prato que se liga e desliga) de frango com esparguete que soube pela vida! De barriga cheia, lá voltámos às mulas!

Depois de passar o centro de Messines, o percurso segue durante vários quilómetros pelas margens da Barragem do Funcho. É uma zona fantástica para pedalar onde nos podemos deliciar com a vista para a albufeira e para os vestígios das habitações submersas pela água. Acabámos por passar mesmo em cima do paredão da barragem (na foto).

E depois nova foto mais abaixo com o paredão em fundo. Nesta altura estávamos no fundo de um vale e para sair de lá apanhámos mais uma subida daquelas que não tem fim. ainda deu para parar à sombra para comer umas laranjinhas. Acabámos por ser apanhados pelo grupo de Lisboa e Gafanha da Nazaré e por causa da roupinha amarela de um deles tivemos de pedalar para fugir de uns abelhões! Nesta altura já não havia forças para fugir, mas que pedalámos depressa, lá isso pedalámos.

Depois foi uma série de subidas e descidas por uma zona de bosques de eucaliptos em direcção a Silves, que acabámos por alcançar ao final da tarde. Antes de chegar à estrada, o track enviava para um lado e as marcas para o outro. Acabei por seguir o track e isso valeu-nos evitar umas zonas nada propícias para o BTT.

Depois de lavar as bikes e tomar banho, a malta encaminhou-se pacificamente para as margens do Arade e da ponte romana para ir para o restaurante. No final da etapa, verificou-se que o colega de Lx tinha partido o quadro da Mérida (deve ter sido por ter andado a fugir do abelhão). Teve de contactar a Megasport para alugar uma bicicleta (de menor qualidade que a dele) para seguir viagem.

Já no restaurante Ponte Romana a malta estava a animada e com fome! Até o bebé que estava na foto e que veio ter com o pai para lhe dar forças!

Clica na imagem para a 4ª etapa.

Via Algarviana - Rescaldo 4ª etapa

16.04.09 | daraopedal

4ª etapa - de Silves a Monchique. A etapa com menos quilómetros (supostamente 46 km) mais considerada a mais difícil pelas subidas acumuladas até à serra de Monchique.

O despertar da malta junto ao quartel dos Bombeiros de Silves após o pequeno-almoço no bar do mesmo.

O percurso voltou para a parte norte da cidade, para iniciar as subidas e descidas nos montes dos arredores. Ao longe era possível avistar Portimão e Lagos, com Sagres tão perto...

O percurso foi essencialmente ao longo de estradões e caminhos de terra sem dificuldades técnicas a não ser uma zona onde encontrámos uma série de árvores que tinham sido cortada de forma a tombar para o trilhos. Aparentemente o proprietário dos terrenos terá tomado esta atitude para nos impedir de passar por lá, mas, que eu saiba, a Via Algarviana passa por caminhos públicos. Com maior ou menor dificuldade, lá seguimos o nosso caminho.

E o caminho era para Monchique, sempre para cima!

Passagem pela ribeira de Odelouca, onde se notam as obras relacionadas com a construção da barragem mais a jusante. Daqui a uns tempos a paisagem será certamente diferente e esta foto servirá de testemunho de como era "antes". Ainda deu para molhar o pezinho ao atravessar.

Depois... bem, depois começou o suplício. Sempre a subir, primeiro por caminhos de terra e depois por estrada (com gravilha) em direcção à Picota, o 2º ponto mais alto da Serra de Monchique. Esta etapa foi má para mim pois fui muito abaixo ao nível moral. As dores no rabo desmotivavam qualquer tentativa para saltar para cima do selim. E, mesmo quando dava perfeitamente para pedalar, recusava-me a saltar para cima da bicicleta e fiz praticamente tudo à mão até à Picota.

Claro que fui ficando para trás. Deu para apreciar as vistas e a paisagem da serra que me lembra a minha terra natal e a Serra da Freita. Curiosamente fazer o percurso a pé não me custou muito, pois estava bem das pernas. As dores eram todas no rabo!

Acabei por alcançar um grupo na chegada ao alto da Picota a 774 metros de altitude. O terreno nesta zona é impraticável e é preciso levar a bicicleta às costas. Obviamente este é um troço apenas para caminheiros.

As vistas é que são fantásticas e valem bem os tormentos passados para alcançar o topo. Deve ser isto que o joão Garcia pensa quando escala uma qualquer montanha do planeta.

Na descida da zona do marco geodésico com a vista do percurso que nos esperava: a descida à vila de Monchique e a subida à serra até próximo da Fóia.

A descida até Monchique foi espectacular e deu para animar um pouco com um single-track fantástico (mas perigoso) numa zona de sobreiral intensa. Soube depois que ainda houve algumas quedas num rego traiçoeiro que atravessava o caminho.

Chegada à praça central de Monchique onde se fez uma paragem estratégica para comer qualquer coisa.

Subida pelas ruelas típicas da vila.

A vista para a vila de Monchique e para o alto da Picota onde tanto me tinha custado chegar.

A passagem junto às ruínas do Convento de Nossa Senhora do Desterro. O local é muito bonito por estar numa zona com muito sobreiros, no entanto o estado de conservação do convento é lamentável: as ruínas são utilizadas como currais e galinheiros por habitantes locais. É uma pena um monumento referenciado nos cartazes turísticos da zona estar assim.

Continuei a minha aventura de levar a bicicleta serra acima a pé e passei junto a esta pista de Downhill existente na zona.

Depois de muito penar, lá cheguei ao alto da serra de Monchique. O percurso não passa mesmo junto à Fóia, e fica-se pela encosta norte da serra. Quanto a mim é uma pena porque as vistas do outro lado são fantásticas.

Chegámos às zona das "portinhas", um sistema que delimita uma área da serra que serve não sei bem para quê. Na foto, a última mulher resistente nesta aventura.

A vista era esta, para a pequena barragem existente na serra. Voltaríamos a passar por mais uma porta para sair da zona cercada.

Andámos a seguir o percurso que dá umas voltas pela serra e proporciona a passagem junto aos campos de socalcos da vertente norte da serra. Uma zona muito bonita sem dúvida.

Depois, a descida em direcção a Marmelete onde iríamos pernoitar. Ainda deu para passar por umas vaquinhas, mas estas não eram como as da Serra da Freita. Ao longe, no horizonte, ficava Sagres.

A vista para o Autódromo Internacional do Algarve.

A descida foi muito boa, mas... uma subida? Mais uma!? Não tinha visto esta na previsão do gráfico de altimetria.

Finalmente a chegada a Marmelete.

Alguns dos aviões que participaram nesta aventura alinhados frente à casa do povo de Marmelete onde a malta ficou alojada. Os banhos foram nos balneários do polidesportivo junto à escola primária: água quente à descrição! Que bom!

O jantar neste dia estava marcado para a Tasca do Petrol a... 5km de onde estávamos! Muita gente cortou-se e foi ao restaurante ao lado da casa do povo. Como me tinha dito se comia bem na Tasca do Petrol lá fui fazer mais 5 km para cada lado. Para lá a malta foi sempre a abrir e consegui acompanhar, para cá, de barriga bem cheia, vim nas calmas. O jantar foi muito bom e o ambiente espectacular. No regresso a Marmelete, a chuva deu sinais de estar para chegar.

Os números:

50.18 km (sem contar os 10 km da ida e vinda do restaurante)

6h13m a pedalar (quer dizer...a caminhar com ela ao lado!)

8,06 km/h de velocidade média

Subidas acumuladas: já não me lembro mas era muuuito (2000 e tal metros)

Clica na imagem acima para a 5ª e última etapa.

Via Algarviana - Rescaldo 5ª e última etapa

16.04.09 | daraopedal

Finalmente a última etapa! De Marmelete até ao Cabo S. Vicente e Sagres! 78 km ao menu!

Não é que não estivesse a gostar, mas fisicamente estava a ser bem durinho e o que eu queria era mesmo chegar ao fim.

O pessoal a arrumar as tralhas da casa do povo de Marmelete. Hoje a partida foi mais tranquila, pois apesar de ser a etapa mais longa, sabíamos que era muito rolante. No entanto o dia amanheceu molhado. Pelos vistos tinha chovido a noite toda, ainda houve pessoal a chegar às 3 da manhã depois de uma visita ao medronho. Eu, nada ouvi!

O pequeno-almoço num café de Marmelete. Hoje ninguém estava com pressa em partir. Não sei se foi por ser o último dia, se foi pela chuva ou por simples preguiça.

A vista de Marmelete com o ambiente húmido do último dia.

Uma estranha escultura na descida a caminho da Barragem de Odiáxere.

O lema do dia foi "Todos juntos!" e a malta dos picanços que andava sempre a chegar 3 a 4 horas antes de mim ao final andou hoje com mais calma. Aqui uma paragem para tirar os impermeáveis quando o dia começou a melhorar.

A vista para a Barragem da Bravura (de Odiáxere).

O grupo foi pedalando com mais calma, mas mesmo assim era muito rápido para eu poder parar à minha vontade para tirar umas fotos.

A passagem junto à Igreja de Bensafrim, um pequena localidade a Norte de Lagos pela qual passámos.

Depois de passar Barão de S. João, metemo-nos pela Mata Nacional acima e só parámos o topo.

Perto deste local da foto, deu para ver a força e teimosia de um colega betetista de 51 anos que tentou 3 ou 4 vezes passar pedalando onde toda a gente tinha passado à mão! Teimoso o homem :-D mas acabou por se render às evidências: ali o terreno era mais forte! Mas a verdade é uma: quem me dera ter agora a pedalada que ele tem. Se aos 51 anos tiver metade da pedalada que ele tem, já me dou por feliz.

Um pouco mais à frente, ultrapassámos o pessoal que estava a fazer a Via Algarviana a cavalo.


Perto das 13h já faltavam pouco mais de 20 km para chegar ao final. Já tínhamos 50 e tal quilómetros nas pernas, mais do que no dia anterior. Hoje sentia-me bem e não me doía o rabo. Acabámos por parar na aldeia da Raposeira, antes de Vila do Bispo para ir às bifanas.

Junto à esplanada do café, um hotel para a passarada!

Continuando o percurso em direcção a Vila do Bispo. A zona entre Vila do Bispo e a zona do Vale Santos é sempre muito penosa, não pelo terreno, mas pelo vento constante que torna o acto de pedalar muito desagradável. O zumbido nos ouvidos, o esforço extra para pedalar contra o vento... Tudo isto tornou esta parte um bocado penosa.

Finalmente, no horizonte, o farol do cabo de S. Vicente! O fim da aventura estava à vista!

Antes de chegar ao farol, alguns insistiram para a foto da praxe! O que eu queria mesmo era chegar ao fim!

Finalmente a chegada ao Farol do Cabo de S. Vicente! Tínhamos alguns fugitivos do pelotão que tinham chegado primeiro e a malta das caminhadas à nossa espera. Depois ainda estivemos à espera do pessoal que vinha a cavalo.

Senti-me muito satisfeito por ter cumprido um sonho e desejo com mais de dois anos. Foi uma vitória a nível pessoal que valeu pela aventura, pelas paisagens, pela companhia da malta sempre animada do BTT.

Ainda fomos até Sagres com um pequeno sprint por alcatrão para uma pequena recepção preparada pela organização na Casa Azul. Houve bolinhos e bebidas para toda a gente para o último momento de confraternização antes de embarcar no autocarro em direcção a Alcoutim.

O ciclo computador marcou 78,87 km para este dia, com 5 horas a pedalar, uma média de 15,75 km/h (a mais alta de todos os dias) e um acumulado de 1650 m.

No total acabaram por ser mais de 340 km (contando com as ligações) ao longo de cinco dias muito duros, mas também muito divertidos, onde deu para conhecer malta nova e ver que há gente muuuuuito viciada no BTT (mas muito mesmo!). Ao lado deles, sou um principiante!

Uma palavra para o Sr. Amândio, um betetista com 61 anos, o mais v... experiente da aventura. Quem me dera ter a sua pedalada nessa idade!

Dou ainda os meus parabéns à única mulher que completou o percurso e que revelou ter mais pedalada que eu também!

Acho que se tivesse de receber um prémio pela Via Algarviana seria... o do último pois terminei todas as etapas nos últimos. Mas isso foi uma vitória para mim, pois o eu objectivo foi cumprido: percorrer o interior algarvio pela Via Algarviana.

 

A todos os que o fizeram comigo, um abraço.

A todos os que ficaram com vontade de o fazer, FORÇA!

 Clica na imagem para voltar à primeira etapa.

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